<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731</id><updated>2012-02-16T17:41:51.103-02:00</updated><title type='text'>Cartas de Inverno</title><subtitle type='html'>Longe de casa pela primeira vez. Pela primeira vez enfrentando o inverno. Dançando no meio da rua pra me esquentar; fazendo bolas de neve à meia-noite; correndo pras aulas dentro de 5 camadas de roupa… 
Experiências únicas que eu faço questão de dividir com minha família e amigos. Notícias de uma cidadezinha gelada num país do Norte para uma cidadezinha quente no meu país do Sul.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>28</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-36026192668204435</id><published>2010-08-03T14:17:00.000-03:00</published><updated>2010-08-03T14:18:20.154-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family:Georgia;color:#000066"&gt;Corin,&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color:black"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family:Georgia;color:#000066"&gt;A cada vez que o tempo esfria um pouquinho meus anticorpos decidem tirar longas sonecas. O resultado é meu nariz escorrendo e aquela sensação familiar de que suas juntas estão tentando se separar. Acordei assim ontem. Acordei assim hoje. Não fui trabalhar. Acessei o sistema daqui de casa mesmo e estou respondendo e-mails entre uma xícara de chá e uma caixa de lenços.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color:black"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family:Georgia;color:#000066"&gt;Reli seus últimos posts no&lt;span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color:black"&gt;&lt;a href="http://corininexile.blogspot.com/" target="_blank"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;color:#000066"&gt;blog&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family:Georgia;color:#000066"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family:Georgia;color:#000066"&gt;e fiquei triste. Não é aquela tristeza cheia de pena não. Conheço você bem o suficiente para saber que não vai acabar morando em uma caixa de papelão embaixo do viaduto. Talvez passe uns tempos em um apartamento apertado. Talvez um quarto alugado com direito a minifridge e microwave... Acho que fiquei triste mesmo porque você sempre foi a amiga que sabia kick the system's ass. E eu tenho muito orgulho de quão bem você faz isso. Saber que talvez o sistema esteja prestes a kick your ass me deixa um pouco desanimada.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color:black"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="font-family:Georgia;color:#000066"&gt;Não sou pessimista, mas às vezes coisas ruins acontecem e não há jeito de consertá-las. Quando é assim eu gosto de me lamentar sem ter quem me diga que tudo vai acabar bem. Durante a caminhada, quando tropeçamos e caimos por causa das pedras e buracos do caminho, fica difícil olhar para o final da estrada e apreciar o quanto a aspereza do caminho te fará uma pessoa mais madura. Nessa horas é bom chorar em paz. Depois, mortas as esperanças antigas e nascidas as novas, é preciso levantar a cabeça com os olhos já secos, e seguir a vida. Eu ainda torço para existir uma carta do consulado canadense concedendo um visto ao Léo. Mas caso a carta seja uma negativa, farei a prometida visita a BH. Ligaremos nossos rádios na estação Charlie e afogaremos a tristeza em pão de queijo e suco de cacau.&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="color:black"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;color:#000066"&gt;I am cheering for you two. And if the system ends up kicking you, we'll make sure to find a way to kick it straight back.&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;color:#000066"&gt;Lots of love!&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia;color:#000066"&gt;&lt;br&gt;Deb&lt;br&gt; &lt;br&gt; PS: To whomever it may concern (read Canadian visa officer), I hereby declare that Corin is a blessing to anyone she ends up next to. Canada will be an even better place to live in if you grant her and Léo a visa.&lt;/span&gt;&lt;span style="color:black"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-36026192668204435?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/36026192668204435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=36026192668204435' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/36026192668204435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/36026192668204435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2010/08/corin-cada-vez-que-o-tempo-esfria-um.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-3253073261356447372</id><published>2010-04-12T23:46:00.000-03:00</published><updated>2010-04-12T23:48:20.427-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 102);"&gt;Mano,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 102);"&gt;O vento soprava forte por cima das colinas milenares. Forte. Fortíssimo. Tão forte que por alguns segundos abri os braços e me inclinei, as costas apoiadas no sopro gelado. As ovelhas pastando não prestavam atenção. Nem o cavalo de cinco milênios escavado na colina prestava atenção. As orelhas queimavam de frio, os dedos enrijecidos ardiam por baixo da luva. Levantei a aba do casaco, apertei o cachecol, e fui saltitando morro acima pra esquentar as pernas. Dezenas de ovelhas pararam para ver esse bando esquisito de gente que aparecia. Beeeeeh, eu cumprimentei. E uma ovelha de pêlo branco e cara preta virou a cabeça confusa e respondeu. Beeeeeeeh. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 102);"&gt;-Beeeeeh&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 102);"&gt;-Beeeh&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 102);"&gt;-Beeeeeeeh&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 102);"&gt;-Beeeh?!?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 102);"&gt;E longe se foi a ovelhinha confusa fugindo dos meus balidos tortos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 102);"&gt;No carro, tirei as luvas geladas pra aquecer as mãos. O anel furta-cor mudara para negro. O aquecedor foi completando sua mágica e a cor, aos poucos, passou para âmbar, então verde, então azul escuro e quentinho. Esse anel eu havia comprado em Tintern, uma abadia de mais de oitocentos anos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 102);"&gt;A história começa onde outra terminou. Logo depois de sair de Beverleigh, a pousada dos sonhos, Gary, Shaharzad e eu nos dirigimos a Porlock, uma cidade à beira-mar. Linda. Idílica. É o ponto mais alto da costa galesa. A estrada se desdobra por cima de montes esmeralda pontuados por ovelhas brancas. De lá de cima vê-se o mar cinzento deslizar sobre pedras também cinzentas. Subimos os montes, descemos através da floresta desperta, e paramos no porto para descansar e absorver aquele sem-fim de cinzas e gris. O tempo parecia suspenso. Encarei o mar e o ar frio afastou o cabelo do rosto como se quisesse por sua vez me ver melhor. A maresia atravessava a lã do casaco e contornava o rosto, o pescoço, as voltas dos cachos. Tudo que tocava impregnava com o cheiro de sal, algas, e antiguidade. Da beira da estrada até a água era só um mar de pedras cinzas. Arredondadas, quase suaves ao toque, polidas por anos e anos de vagas. Shaharzad e eu caminhamos com dificuldade em direção ao mar. A cada passo a possibilidade de escorregar era maior, a lama se misturava às pedras. Pensei no quanto seria terrível torcer um pé naquelas paragens. Chegamos bem perto e paramos antes que os sapatos afundassem completamente na lama negra que beijava o mar. Coloquei algumas pedrinhas no bolso de recordação e voltamos pro carro para continuar a viagem rumo a Tintern.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 102);"&gt;Chegamos de noite, jantamos num pub simpático na beira da estrada. Sentados ao pé da lareira conversamos e fizemos planos para a visita à abadia no dia seguinte. No escuro, os muros monumentais davam a impressão de serem feitos da mesma matéria que os sonhos. O dia seguinte foi rotina. Alvorada; café da manhã; pagar a conta; ir pra Abadia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 102);"&gt;Era cedo quando estacionamos. Paramos na lojinha para comprar cartões postais antes de entrar. Entre cálices, colherinhas de madeira, canecas, e bijouterias variadas, encontrei anéis desses que mudam de cor dependendo da temperatura. É claro que a explicação para a mudança é a menos científica possível na caixinha. Diz ali que o anel lê suas emoções. Uma espécie de magia céltica antiquíssima que permite saber as emoções do portador desde alegria até depressão. Além do material termosensível, digo, sensível a emoções, os anéis eram gravados com símbolos célticos tradicionais. Shaharzad nunca tinha visto um desses. Colocou vários nos dedos e se surpreendeu quando eles todos assumiram a mesma cor. Testamos vários anéis e a cada vez o resultado se repetia. Os dela logo ficavam azuis, de um azul escuro e tranquilo. Os meus logo ficavam verdes, de um verde amarelado e desconcertante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 102);"&gt;- Deb, I will get one – disse Shar quando decidiu comprar um.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 102);"&gt;- I will get one too! – disse eu quando decidi comprar o meu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 102);"&gt;Escolhemos anéis idênticos. O símbolo da Trindade marcado em dourado era mais um motivo para eu gostar do brinquedinho. Saímos em direção às ruínas e nos divertimos como nunca. Sozinhas no meio de paredes e arcos centenares nos sentíamos temporais, passageiras, e por isso mesmo ainda mais vivas. Corremos por entre as colunas, subimos em muros que se esfarelavam, rimos muito, tiramos fotos... Shar dançava na grama de tão feliz. Repetia rindo que o mundo era maravilhoso e o tempo inexorável e que estava feliz de estarmos dividindo parte dele. Fazia frio. Muito frio. Os anéis em nossos dedos assumiram a mesma cor: âmbar, agitação, medo. Não sei... Talvez fosse o vento, ou as sombras fantasmagóricas da abadia, mas por alguns segundos eu acreditei que os anéis fossem mesmo mágicos e que as runas neles gravadas pudessem ecoar no tempo e projetar-se no futuro unindo pra sempre as donas dos anéis. O vento gelado nos trouxe de volta à realidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 102);"&gt;Corremos pelo gramado e pra dentro do carro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 102);"&gt;- I love you, sister – disse Shar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 102);"&gt;- I love you, sister – disse eu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 102);"&gt;Magia druida ou não, aquela foi uma manhã inesquecível.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-3253073261356447372?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/3253073261356447372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=3253073261356447372' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/3253073261356447372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/3253073261356447372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2010/04/mano-o-vento-soprava-forte-por-cima-das.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-406544258325880599</id><published>2010-04-05T12:56:00.000-03:00</published><updated>2010-04-05T21:33:09.104-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/S7oJ3ISnYyI/AAAAAAAAAcA/bkV0xEtIyiw/s1600/IMG_0592.JPG"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/S7oInxvXdUI/AAAAAAAAAbg/Ma7bNCAO0IE/s1600/IMG_0640.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/S7oInxvXdUI/AAAAAAAAAbg/Ma7bNCAO0IE/s400/IMG_0640.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5456683377972704578" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: left;"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Férias: Dia 5 - Minehead&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Hey you!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Gary e Shaharzad caminhavam na frente em direção ao carro. Eu seguia logo atrás me esforçando para levantar a mala. A cada passo sentindo o salto esfarelar um pouco contra as pedrinhas do calçamento.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Quer ajuda? - ofereceu Gary prestativo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Precisa não, Gary. De onde eu venho nós carregamos nossas próprias bagagens. Certo, Shar?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Certo, Deb.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Malas alocadas, todos sentados e devidamente acintados aos bancos, Gary fecha os olhos em prece antes de começar a dirigir. Na estrada a chuva ia e vinha como uma criança a correr pela casa num entra e sai sem ordem. Ou talvez fosse melhor dizer que era o sol que brincava de gato e rato tentando espiar o mundo por entre as brechas deixadas pelas nuvens cinzas. Paramos num posto de gasolina para abastecer o carro e nossos estômagos famintos. Na correria, deixei cair meu lenço de seda favorito, que por lá ficou entre latas de sopa, sanduíches congelados e óculos de sol. A estrada se estendia pela frente, murada por paisagens rurais que se sucediam ininterruptamente. A cada curva um campo mais verde se via pisoteado por ovelhas brancas e vacas felpudas. Shaharzad adormeceu, embalada pela chuva e pelo ondular suave do carro. A voz de Gary amortecia o ruído típico da estrada. Com os olhos fixos no horizonte ele me contava sobre Taliqan, a cidade afegã onde mora. Me perguntava sobre meus planos para o futuro, trabalho, estudos, família...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Cruzamos pontes, nos perdemos por entre estradas de nomes parecidos e, por fim, nos encontramos em um vale quando deveríamos estar na beira do mar. Abandonamos a via expressa e nos embrenhamos pelas ruas sinuosas de uma cidadezinha charmosa chamada Minehead. Paisagens. Paisagens. Curva. Pasmo. Uma vista inacreditavelmente linda se descortinou. Era ainda Minehead, mas desse lado ela descia perigosamente a encosta das colinas e se encontrava com o mar que vinha bater nas pedras cinzas e arredondadas. &lt;/span&gt;Grey pebbles till the eyes can see, washed out by the sea, little cold pieces of rock smoothed by millennia of water and salt. &lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;As casinhas pequeninas e as não tão pequeninas, abriam os olhos iluminados no final da tarde para ver a chuva que continuava a cair. Gary não sabia bem ao certo onde estávamos. Queria continuar drigindo rumo ao sul e parar em outra cidadezinha talvez ainda mais pitoresca. Shaharzad e eu discordamos. O estômago dela já estava a ponto de começar um motim e eu só queria esticar as pernas em algum lugar quente e seco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Subimos e continuamos a subir pelas vielas sinuosas. Encontramos um castelo, uma igreja, um cemitério, uma floresta e algumas das vistas mais lindas com as quais já tive o prazer de me deparar. Esse tour cinematográfico era, na verdade, uma busca. O sol já se despedia do céu britânico e precisávamos garantir pousada para a noite. Passamos por mais de uma pousada simpática, mas toda vez trocávamos olhares e decidíamos continuar subindo. Foi quando uma placa pendurada em um portão azul nos anunciou "Beverleigh Bed &amp;amp; Breakfast."&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- É aqui, Gary. Vamos perguntar logo o preço e ficar por aqui mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Beverleigh. O portão se abria para uma escada de pedra ladeada por árvores e arbustos. Descemos depressa nos escondendo da chuva e tocamos a sineta da porta. Uma senhora meio desconfiada e rechonchuda entreabiu a porta. Explicamos nossa presença e ela resmungou um pouco. Não gostava de ter hóspedes por apenas uma noite, mas concordou em nos mostrar os quartos disponíveis para que decidíssemos se queríamos mesmo ficar. O próprio lobby já havia nos deixado sem fôlego. Imagine uma hospedaria de contos de fada com penduricalhos nas janelas e coisinhas brilhantes aqui e ali. Subimos as escadas e ela abriu a porta pra um dos quartos mais mais mais.... Ah, olha a foto e complete a frase com seu adjetivo predileto. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 238); "&gt;&lt;img src="http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/S7oI2MMesJI/AAAAAAAAAbo/bv1rGCnPj5k/s320/IMG_0430.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5456683625592303762" style="float: left; margin-top: 0px; margin-right: 10px; margin-bottom: 10px; margin-left: 0px; cursor: pointer; width: 240px; height: 320px; " /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;The photo doesn’t really show the magic of this room. It can’t make you understand the feeling of walking into something warm and smelling of cinnamon and spices and goodness. &lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;O quarto de Gary também era de um bom gosto impressionante.&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;Nós quatro trocamos olhares meio amarelos. Era a hora de perguntar quanto custaria uma&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;noite naquele universo particular. Ela nos disse o preço e ficamos os três a coçar as cabeças indecisos. Descemos as escadas meio murchos. Precisávamos ir à cidade jantar, e prometemos ligar em meia hora pra avisar qual era nossa decisão. Caro não era, mas também não era barato.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Subimos os degraus de pedra sem vontade na chuva fraca. Sentamos no carro, Gary demorava a dar partida. Nos entreolhamos, e mais uma vez trocamos olhares. Gargalhadas encheram o carro quando percebemos que a decisão já estava tomada e era unânime. A pousada de contos de fada era nossa. Ligamos imediatamente e combinamos voltar em duas horar pra ocupar os quartos. Jantamos num restaurante chinês ao som de uma rádio estilo JB Fm. Eu cresci ouvindo JB e cantei ao som do rádio para embaraço e diversão de meus amigos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“And you can tell everybody this is your song (...)” &lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Elton John e Pato a Pequim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“I look around and it is you I can’t replace (…)” &lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;The Police e Rolinhos Primavera.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;“I hear in my mind all of this music (…)” &lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Regina Spektor e Camarões Tso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/S7oJg5Ycc9I/AAAAAAAAAb4/h_oCUEngZfA/s1600/IMG_0458.JPG"&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/S7oJg5Ycc9I/AAAAAAAAAb4/h_oCUEngZfA/s320/IMG_0458.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5456684359276590034" style="float: right; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px; " /&gt;&lt;/a&gt;O freguês sentado ao lado riu também e levantou sua taça de vinho num brinde. Comemos depressa, pulamos no carro, rodamos perdidos na escuridão por meia hora and there it was! Beverleigh! Carregamos as malas escadas acima e nos acomodamos. Gary ficou com o quarto do sotão no alto de uma escada íngreme. Shar e eu dividimos o quarto de Nárnia (apelido devido ao armário entalhado que dominava a cena). Nossa anfitriã fez planos para o café da manhã e nos deixou à vontade para explorar os quartos e a sala de estar. Shar se derreteu toda quando viu o jogo de louça na janela. Chá, chocolate quente, biscoitos... Preparamos nossas xícaras e sentamos na beirada da cama para sorver em pequenos goles a beleza toda do lugar. Gary se juntou a nós enquanto fazíamos planos para o próximo dia. Tudo em ordem e nós descemos para a sala de estar para ler histórias em voz alta e recitar poesias de nossas terras.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: rgb(0, 0, 238); "&gt;&lt;img src="http://2.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/S7oJP7FmE-I/AAAAAAAAAbw/uFisThXGAW8/s320/IMG_0551.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5456684067676623842" style="display: block; margin-top: 0px; margin-right: auto; margin-bottom: 10px; margin-left: auto; text-align: center; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px; " /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Shaharzad leu Hafiz. Gary começou a ler um conto de C.S. Lewis, mas o resfriado roubava metade da graça, então eu terminei. Sentamos em volta da mesa contando histórias que não estão em livros. Eu contei da Vitória-Régia, João Bururum, e Nicolau Pequeno. Shar contou sobre o viajante que nadou por rios de sangue e escalou montanhas de espinhos para salvar sua amada. Gary contou de pastores que passaram a perna em reis. Os drapeados das cortinas e os livros nas estantes. As xícaras azuis na mesa, e o divã perto do aquecedor. Os enfeites nas cômodas e os lustres iluminados. Tudo. Tudo ouvia às histórias com atenção. As horas passaram sem que percebêssemos. Até os grilos e os sapos desistiram de esperar e se calaram no escuro-verde do lado de fora da casa. Subimos mais uma vez as escadas, dissemos Boa Noite e nos escondemos sob várias camadas de sedas, poliésters, algodão e felicidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;A manhã seguinte acordou sem pressa. Sentamos à mesa para um café reforçado com ovos, bacon, torradas e... Chá! Infusões de ervas e matos nunca foram minhas bebidas favoritas. Mas as xícaras aqui são tão gentis e todos parecem tão tranquilos bebericando seus chás. Pedi chá de camomila com hortelã para acompanhar meu desjejum. Uma xícara. Duas xícaras. Três xícaras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;img src="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/S7oJ3ISnYyI/AAAAAAAAAcA/bkV0xEtIyiw/s320/IMG_0592.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5456684741235794722" style="float: right; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 10px; margin-left: 10px; cursor: pointer; width: 320px; height: 240px; " /&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Quatro xícaras, Deb! – Shaharzad se surpreendeu com a velocidade com a qual eu bebia xícara após xícara.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;- It is so good, Shar! &lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language: PT-BR"&gt;Tão bom! – Eu continuei a sorver o chá, absorvendo todo o calor que podia na esperança de que a quentura fosse me acompanhar pelo resto da jornada. Nos despedimos da pousada como quem se despede de um ente querido e saímos estrada afora procurando nosso próximo destino.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;The UK is not bad at all. You should try and come one day. It is the perfect place to find cherry trees in blossom with strawberry swings and all.&lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;XOXO&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-406544258325880599?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/406544258325880599/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=406544258325880599' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/406544258325880599'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/406544258325880599'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2010/04/ferias-dia-5-minehead-hey-you-gary-e.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/S7oInxvXdUI/AAAAAAAAAbg/Ma7bNCAO0IE/s72-c/IMG_0640.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-8623436239877633790</id><published>2010-03-31T20:14:00.000-03:00</published><updated>2010-03-31T20:19:07.819-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/S7PYSy-_m9I/AAAAAAAAAbY/u944jk4ecgU/s1600/IMG_0367.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/S7PYSy-_m9I/AAAAAAAAAbY/u944jk4ecgU/s400/IMG_0367.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5454941391111035858" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;!--StartFragment--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;Férias: Dia 1 - Goring-by-Sea&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Rafa,&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Eu espero na plataforma 18 pelo ônibus que me levará para Oxford. As pernas balançam de um lado para um outro contra a mureta branca onde sentei para esperar. De longe vejo o ônibus azul com letreiro luminoso “OXFORD.” O motorista é rechonchudo, com barba ruiva, e olhinhos pequenos e brilhantes. Abre um sorriso e pergunta “O que posso fazer por você hoje?” Peço uma passagem só de ida e procuro um lugar na carruagem vazia. Sento e a luz vermelha pisca insistente me mandando pôr logo o cinto de segurança. Ao lado do meu pé encontro uma tomada e fico encarando a bichinha por uns minutos. Já estou aqui há 3 dias e não é a primeira vez que vejo uma tomada. O que me surpreende é ter uma no ônibus. Continuo olhando pra tomada pensando no quão absurda ela é. Uma tomada que não faz sentido pra minha cabecinha brasileira. Que me perdoe a rainha por minha falta de sensibilidade cultural, mas as tomadas daqui são ridículas! Coisas rombudas e enormes de três pinos meio quadrados. Precisei comprar um adaptador para poder carregar computador e celular, que por sinal acaba de tocar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Oi&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Luzia?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Não Tereza, é Deborah falando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- E você não viajou?!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Tô na Inglaterra, Tereza! Mas diga, quer falar com Luzia? O número é tal e tal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Obrigada! Divirta-se por aí!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Obrigada, Tereza. Me divirto sim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Afasto meus olhos por um tempo da tela do computador e o céu cinzento me saúda. Árvores esqueléticas se preparam para explodir na primavera, e a chuva leve cái de contínuo. Mais à frente ovelhas inglesas pastam em pastos ingleses sem notar que são observadas por olhos brasileiros.Toca de novo o telefone, dessa vez o celular britânico que me emprestaram.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Hello, Deb speaking.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Darling, it’s me! When do you get here?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Shar! I’ll be there in two hours, dear. Will you pick me up?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Of course, you silly! I’ll be there. See you soon!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Yay! See you soon, darling! Bye!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;O ônibus diminui a velocidade e minha atenção se volta mais uma vez para a janela. Engarrafamento. Tiro uma foto pra recordação e mordo a unha pensando&lt;span style="mso-spacerun: yes"&gt;  &lt;/span&gt;no que escrever. Estou aqui há três dias, mas parece que pouco aconteceu. Cheguei do aeroporto no primeiro dia e procurei pela plaquinha com meu nome. O motorista, um senhor de cabelos brancos e cara comprida, me ajudou com a mala e indicou onde eu poderia trocar dinheiro. No estacionamento, abri distraidamente a porta da direita e dei de cara com a direção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Você vai dirigindo? – Ele perguntou com um meio riso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;- Oh! No! Esqueci que vocês tem os carros trocados...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Sentei no lado certo (que na verdade é errado) e fomos pelo anel viário que cerca Londres. De lá chegamos às cidadezinhas com seus pubs de 1400 e lá vai smoke. Passamos por um ou dois castelos, casinhas com nomes como “Gordon Place,” “Hamilton Cottage,” or Pendleton House.” Kevin parou na ponte para que eu tirasse algumas fotos e depois voltamos, sempre ao sul. Meu estômago apertava de tanta fome e a chegada ao hotel foi benvinda. Carreguei minha mala escadas acima, entrei no quartinho e lá se vai o telefone a tocar outra vez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Deb?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Hey boss! I just got here!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- Great! I’ll pick you up in half an hour. OK? If you are tired, we can do it tomorrow, but I thought you’d want to do it today.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- ….&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- OK then! See you soon!&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;- OK, I’ll be ready.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Tenho meia hora pra me arrumar e descer para esperá-la no lobby. Me apronto rápido, com fome e sono, e desço escadas a baixo para dar de cara com uma moça assim parecida comigo. Branquinha, magrinha, baixinha, novinha. Elaine. O dia no escritório passa rápido. Reunião com Elaine. Reunião com Peter. Reunião com Heidi. You speak like an American! So cute!” eles diziam rindo do meu sotaque. “And you speak like, like, like British people! Very cute!” eu pensava. Jantar num restaurante com Elaine e Terry. Na volta reclamar da tomada e de como meu secador não funciona. “E como você secou o cabelo hoje?” pergunta o Terry. “Eu não sequei!” respondo. “Então como ele ficou assim. Todo chacheado? Seu babyliss funciona na tomada?” [Eu pisco, penso, pisco, penso de novo aí Elaine explica pra ele que não é babyliss].&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;“Na manhã seguinte a rotina parecida. Escritório às 9. Verificar e-mails. Reunião com Greg. Reunião com Rich. Reunião com Greg de novo. Reunião com Terry. Reunião com Scott. Reunião com Elaine. Telefonar para o escritório no Brasil. “Tudo bem, Fran? Tudo bem, Lu?” Jantar com Elaine. Hotel. Ligação de trabalho; gente do Brasil. Cama. Mais um dia começa e a rotina também se parece. Alvorada. Banho. Fazer o check out. Ir para o escritório. Reunião com Elaine. Reunião com Rich. Reunião com Ian. Fim! &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;Foi aí que eles me levaram para a estação de trem e me explicaram como chegar em Oxford. Peguei o trem e dormi. Acordei em Gatwick, onde precisava descer e pegar esse ônibus. Minha impressão dos ingleses até agora é positiva. Eles seriam bem mais divertidos se passassem uma temporada no Brasil aprendendo a se soltar, mas no mais eles são educados e e gentis o suficiente. Não espere nenhum bate-papo informal no corredor, mas no trabalho sempre tem alguém para oferecer a cup’o’tee ou cup’o’coffee com biscuits. Continuo no ônibus. A chuva aumentou e as ovelhas continuam a balir nos campor ingleses que beiram a estrada. Escuto uma banda inglesa e seus tunes românticos enquanto espero chegar. A cabeça dói. Estou com sono. Penso no que Elaine me disse. “Por que passar as férias no Reino Unido?! É cinzento, frio, chuvoso, e as pessoas são fechadas.” Eu só ri. Pra quem é feliz, e tem amigos, o que mais importa é a companhia, não o lugar onde se está. Daqui a pouco estarei com Shaharzad e Gary. Mesmo com chuva, frio, e gente fechada, sei que vai ser uma das melhores férias da minha vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR" style="mso-ansi-language:PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;We’ll grab a cup’o’tee when I go back to Rio, my friend! And I’ll look for that Scottish something that you asked for. Beijo beijo!&lt;/p&gt;  &lt;!--EndFragment--&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-8623436239877633790?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/8623436239877633790/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=8623436239877633790' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/8623436239877633790'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/8623436239877633790'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2010/03/ferias-dia-1-goring-by-sea-rafa-eu.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/S7PYSy-_m9I/AAAAAAAAAbY/u944jk4ecgU/s72-c/IMG_0367.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-2061157041932496285</id><published>2010-03-27T23:15:00.001-03:00</published><updated>2010-03-27T23:25:45.369-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/S6690_-cQwI/AAAAAAAAAbQ/S-TDEV_kKJY/s1600/IMG_0410.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/S6690_-cQwI/AAAAAAAAAbQ/S-TDEV_kKJY/s400/IMG_0410.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5453504917016429314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style=" ;font-family:Times;"&gt;&lt;div style="border-top-width: 0px; border-right-width: 0px; border-bottom-width: 0px; border-left-width: 0px; border-style: initial; border-color: initial; margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; padding-top: 3px; padding-right: 3px; padding-bottom: 3px; padding-left: 3px; width: auto; font: normal normal normal 100%/normal Georgia, serif; text-align: left; "&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-weight: bold; "&gt;       Dinner in Oxford&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote class="webkit-indent-blockquote" style="margin-top: 0px; margin-right: 0px; margin-bottom: 0px; margin-left: 40px; border-top-style: none; border-right-style: none; border-bottom-style: none; border-left-style: none; border-width: initial; border-color: initial; padding-top: 0px; padding-right: 0px; padding-bottom: 0px; padding-left: 0px; "&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;We gathered around the fire&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Like others before and after us&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;To eat and drink and celebrate&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Life, love, friends, and good food&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;We met around a table&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Like other tables around the globe&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;To try and explain and laugh of it all&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;World of tongues, smells, tastes, and hues&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;We assembled around a cup&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Like other cups of tea or coffee&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;To sip and nip and swallow its bits&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Herbs, seeds, leaves, and sugar&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;We rallied around the light&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Like other lights that shine within&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;To share and merge and complicate&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Guests, guesses, opinions and stories&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;We came together around a tale&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Like other tales of truth and lie&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;To hear and think and canalize&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Distances, differences, foes, and allies&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;                                         by Deborah Rufino&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-2061157041932496285?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/2061157041932496285/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=2061157041932496285' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/2061157041932496285'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/2061157041932496285'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2010/03/dinner-in-oxford-we-gathered-around.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/S6690_-cQwI/AAAAAAAAAbQ/S-TDEV_kKJY/s72-c/IMG_0410.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-6438973928073985747</id><published>2009-11-07T12:52:00.000-02:00</published><updated>2009-11-07T12:59:07.807-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Ao moço que eu vi menino,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Querido, hoje faz um calor ao qual eu já não estou mais acostumada. Ressenti tantas vezes o inverno inclemente lá de cima e hoje me pego pensando na neve com saudade. Pois bem, com ou sem neve, eu preciso contar minha história e pôr fim ao abandono do meu bloguinho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Você certamente se lembra das minha sobrinhas. Aquelas duas menininhas de cabelos cacheados e muita personalidade. Lembra também daqueles dias bons, quando você ainda cabia no meu colo, em que eu te contava as histórias mais mirabolantes e preparava mapas de terras imaginárias. Nem nos meus dias mais criativos eu cheguei a imaginar um dia como essa segunda-feira que passou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Foi um feriado; dia de Finados. Duda e Bela passaram o final de semana aqui em casa. Acordaram com o barulho dos sinos da igreja:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- Balulo, tia? Balulo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- É, sobrinhas, barulho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- Catelo, tia? Catelo?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- Não, sobrinhas, igreja. É o sino da igreja.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- Não, tia!! Catelo! Catelo! Catelo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Elas apontavam para a janela e, além desta, para a torre simpática da Igreja do Divino Salvador. Castelo! Castelo! Da janela correram para a mesa onde estava uma comprida caixa rosa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- Catelo pricesa, tia? Catelo pricesa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Era a caixa da barraquinha cor-de-rosa que elas haviam ganhado de presente. Nas paredes de algodão estavam estampadas as princesas Disney, e ao fundo, o castelo da Bela Adormecida. Duda e Bela desataram a contar histórias, das quais eu não entendia palavra nenhuma, exceto "castelo" e "princesa". A barraquinha estava desmontada, guardada dentro da caixa de papelão. Varetas, juntas de plástico e cobertura de algodão embrulhadas com o manual de instruções.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- Posso montar a barraca pra elas, pai?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- Claro que pode. Você sabe como?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Eu não sabia, mas sei ler as instruções. Coloquei as varetas da base, depois as paredes, o telhado, e finalmente montei a barraca colorida para as meninas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- Tia fez catelo? Fez, tia?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- Sim, a tia montou seu castelo, sobrinha.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- Da pricesa, tia? Da pricesa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- É sobrinha, o castelo da princesa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Elas se esbaldaram com o brinquedo. Entraram de gatinhas e contaram histórias uma pra outra, apontando pra esta ou aquela princesa, e correndo pra dentro e pra fora do castelo de faz-de-conta. O sino da igreja bateu novamente, marcando as onze horas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- Balulo, tia! Balulo catelo!!! Vem catelo, tia, vem!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;De volta ao quarto elas tentavam enxergar a torre de onde vinha o repicar do sino. Em vão eu repeti que não era um castelo de verdade. Que era só uma igrejinha. Elas dançavam e pulavam entre gritos e palmas. "Vamos levá-las ao castelo?", sugeriu papai. Nos vestimos, vestimos as crianças e saimos rua afora para ver de perto esse castelo maravilhoso. Viramos a esquina e lá estava ele, o castelo imaginado, cansado e imponente. Bela e Duda bateram palmas, gritaram, e quiseram entrar pra encontrar o tal príncipe e a princesa que faziam tanto barulho.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- Pode, tia? Pode?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- Não dá, sobrinha. O príncipe tá ocupado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- Pado? Prícipe tá pado?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- É! Ele está ensaiando com a banda de rock dele pra fazer serenata pra princesa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- Roqui? Cesa?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- Isso! Rock pra princesa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Elas acreditaram na história da carochinha e voltaram pra casa felizes da vida. O calor beirava o absurdo e Duda pediu colo. Bela ainda olhava pra trá volta e meia pra perguntar sobre a banda do príncipe. Chegaram em casa com sede e vontade de contar pra avó sobre o que tinham visto. Almoçaram. Tomaram banho e voltaram para dentro do castelo cor-de-rosa. "Vem, tia" elas convidaram. E eu entrei para contar a história da princesa Bela e princesa Duda que um dia foram pra praia com a tia. Os olhinhos escuros se aquietaram enquanto elas ouviam histórias sobre suas próprias aventuras. Achei que dessa calma toda, fossem mergulhar direto no sono, mas que nada. Ao final da saga elas perguntaram:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;- Cabô, tia? Cabô?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;E saíram correndo outra vez pra brincar de Lego, puxar o rabo do cachorro e perguntar as mesmas perguntas outras tantas centenas de vezes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;"Elas vão se lembrar desse dia daqui a muito tempo", disse Maria, "não claramente, mas vão lembrar de um castelo, de um príncipe, da tia e  do avô. E vão se perguntar de onde veio a memória, sabendo apenas que é uma lembrança feliz." Realmente feliz, eu pensei. O dia em que vovô as levou pra ver o castelo grande, titia construiu o castelo pequeno, e o príncipe barulhento tocou melodias geniais para uma princesa escondida na torre.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Você anda sumido, meu amigo. Mas sei que também tem lembranças parecidas com essas. Lembranças de dragões, robôs, cavaleiros, árvores falantes, e terras distantes. Aproveite o marasmo que o calor traz e vá lembrar das coisas boas, meio sem explicação, que nossa infância nos deixa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Saudades, meu príncipezinho!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Deb&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-6438973928073985747?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/6438973928073985747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=6438973928073985747' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/6438973928073985747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/6438973928073985747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2009/11/ao-moco-que-eu-vi-menino-querido-hoje.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-2421835819627400335</id><published>2009-08-09T19:40:00.000-03:00</published><updated>2009-08-09T21:23:37.972-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;color:#000066;"&gt;Dear Helô,&lt;/span&gt; &lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Fazia muito frio no dia em que celebrei, pela primeira vez, minha formatura. Inverno. Era uma cerimônia pequena, para cem pessoas no máximo. A presidente da faculdade nos recebeu em sua casa para uma taça de champanhe e morangos cobertos com chocolate. Tradicionalmente, as universidades norte-americanas celebram a formatura uma vez ao ano. Para aqueles que se formam no meio do ano acadêmico – Janeiro – existe uma pequena celebração, geralmente em Dezembro. Foi essa a primeira vez em que eu ouvi a palavra mágica “alumna,” que quer dizer ex-aluna. Naquele dia frio eu recebi um broche e um aperto de mão da presidente juntamente com os votos de um futuro cheio de sucesso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Eu era permitida apenas dois convidados e fazia todo o sentido que Steve e Shaharzad fossem os escolhidos. Minha sensação de estar afundando desaparecia quando eu via o orgulho estampado no sorriso deles. Eu vestira o vestido vermelho que minha mãe havia feito para mim e, pendurados em minha orelhas, estavam os brincos que Laura me dera pouco antes de morrer. Eu havia prometido a mim mesma que os usaria em minha formatura, que me lembraria dela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Não me importava que todos me dessem os parabéns e me dissessem que meus quatro anos de graduação haviam finalmente terminado. Fora daquele salão acarpetado fazia frio e estava escuro e eu sabia que os próximos meses seriam os mais duros que eu já havia vivido até então. Além disso, o diploma só seria liberado em Maio. Eu não ganharia o título de bacharel ainda por seis meses. Era como se faltasse algo antes que eu pudesse finalmente virar a página "Smith" da minha vida. Brindei com o restante das formandas e com meus amigos, ciente das incertezas que me aguardavam, mas certa de que tudo ia ficar bem. Foi uma noite interessante.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Chuviscava no dia em que celebrei, pela segunda vez, minha formatura. Primavera. Era uma cerimônia enorme, para seiscentas formandas e suas respectivas famílias. Nós nos agrupamos por dormitório em ordem alfabética e marchamos pelo jardim central. Flashes e gritos de alegria dos pais se embaralhavam no ar. Vestidas com os tradicionais robes pretos, capuzes brancos e o chapéu quadrado nós marchamos e acenamos para as fotos. Prestamos o juramento de nos mantermos fiéis aos nossos ideais e a usar nossos conhecimentos para o bem. Dessa vez, ao ouvir a presidente se referir às formandas, a mim, como alumni, eu pude apreciar suas palavras como alguém que passara seis meses “no mundo real” e voltara para receber o diploma. Atravessei o palco quando a mestre-de-cerimônias chamou meu nome, apertei a mão da presidente e recebi o diploma em seu estojo de couro preto. Era o que eu havia esperado tanto naqueles últimos seis meses.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Da platéia eu sabia que minha mãe, tia, Shaharzad, Eri, Steve, David, Peggy, e tantos outros amigos e amigas me assistiam. Sabia também que eles estavam felizes de me ver concluindo uma parte tão preciosa da minha vida. Minha sensação de estar flutuando se alimentava das lágrimas de orgulho deles. Eu vestira o mesmo vestido e pendurara os mesmos brincos em minhas orelhas; a mesma lembrança serena de duas mulheres que me amaram tanto. Foram fotos, abraços, e muitas lágrimas contidas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Por mais que todos repetissem que a distância não estragaria nada, que a amizade não seria abalada, eu sabia que não era verdade. Chuviscava e eu sabia que “lá fora” não seria o mesmo. As memórias dos tempos de faculdade iriam perdendo espaço para as novidades dessa nova fase. Celebrei com minhas amigas a conquista do tão suado grau e me despedi delas ciente de que se passarão muitos anos antes que nos vejamos novamente. Foi um dia inesquecível.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Sn9oL34sGgI/AAAAAAAAAYE/CwGsdY6AfM4/s1600-h/Collage+Commencement.jpg"&gt;&lt;img style="MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; FLOAT: left; HEIGHT: 318px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368123834038491650" border="0" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Sn9oL34sGgI/AAAAAAAAAYE/CwGsdY6AfM4/s320/Collage+Commencement.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;Fazia calor no dia em que celebrei, pela terceira vez, minha formatura. Inverno carioca. Dessa vez era meu pai quem vestia a beca. Era ele o formando, mas ele sempre disse que o que é dele é meu também. Minha conquista fora dele; dos anos dedicados a me educar; dos soldos dedicados a custear minha educação; dos anos que passaram marcados pela separação. E agora a conquista dele era minha. Eu o vi passar junto com o restante dos formandos. Minhas lágrimas se misturando com minha miopia faziam as luzes aumentar de tamanho. O sorriso dele, tão largo sempre, pareceu se estender até o infinito e ficar do tamanho do meu orgulho. Minha mãe e eu aplaudimos quando ele cruzou o palco para receber o canudo e a rosa vermelha. Em poucos minutos estavam representadas todas as horas dedicadas ao estudo. Em um simples canudo estava representado o grau que ele conquistara com a graça de Deus e com dedicação.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;Ele voltou para nossa mesa no final da celebração para receber o abraço. Ganhou também um buquê improvisado de uma flor só que eu surrupiara do arranjo vizinho. Foi uma noite muito feliz. Foi ele quem perguntou se eu ainda escrevia. “Não,” eu respondi, “faz muito tempo desde que escrevi uma carta de inverno”. “Pois deveria,” ele disse, “desse blog pode acabar saindo um livro”. Essa carta já estava mesmo no forno, esperando a deixa certa para sair. Você também perguntou pelo blog e o time de gente me incentivando a voltar a escrever aumentou. Fica aqui o post então; e a promessa de cartas futuras.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="color:#000066;"&gt;See you at work!&lt;br /&gt;Deb&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-2421835819627400335?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/2421835819627400335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=2421835819627400335' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/2421835819627400335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/2421835819627400335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2009/08/dear-helo-fazia-muito-frio-no-dia-em.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Sn9oL34sGgI/AAAAAAAAAYE/CwGsdY6AfM4/s72-c/Collage+Commencement.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-234942892651246260</id><published>2009-01-31T17:22:00.001-02:00</published><updated>2009-01-31T17:41:39.502-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/SYSpR53iHTI/AAAAAAAAANE/s2K1DD0xBC4/s1600-h/PC090200.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 202px; height: 320px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/SYSpR53iHTI/AAAAAAAAANE/s2K1DD0xBC4/s320/PC090200.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297545186751159602" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link style="color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;" rel="File-List" href="file:///C:%5CUsers%5CRufino%5CAppData%5CLocal%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt; 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 &lt;p  style="color: rgb(153, 0, 0);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Recentemente eu andei reparando nos pássaros a minha volta. São andorinhas, pardais, robins-de-peito-laranja, e corvos. Há alguns meses atrás eu fui até o DETRAN daqui para dar entrada na minha identidade. O prédio baixo é de madeira branca e fica na beira da estrada que leva pra Springfield, pouco depois da ponte. Fazia frio e as luvas não adiantavam muito contra o vento. Eu entrei, preenchi os formulários, apresentei os documentos, tirei a foto e recebi o comprovante de que minha carteira chegaria dentro de duas semanas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(153, 0, 0);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Antes de sair novamente e esperar o ônibus eu apertei bem o cachecol e pus as mãos geladas nos bolsos. Esperei no ponto vendo carros passarem. O frio apertou me fazendo balançar de um lado para o outro. Foi então que eu os vi. Ali, enquanto me sacudia e pensava em quanta coisa tinha passado. Ali, logo acima de mim, um bando de andorinhas voando graciosamente. Eu não precisava de bússola para me dizer que elas voavam em diração ao sul, formando um V amarronzado contra o azul claro daquele céu frio. Eu continuei cantando baixinho – pensando na beleza que existe em partir; na alegria que existe em chegar; e na complexidade que existe no meio, na viagem, no percurso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(153, 0, 0);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;A canção inventada virou um pedido. Pedi por direção. Afinal, me pareceu muito injusto que passarinhos soubessem exatamente pra onde voar enquanto eu me debatia em conjecturas. “Me ajude a encontrar meu Sul,” eu pedi olhando para o céu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(153, 0, 0);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(153, 0, 0);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Essa não era a primeira vez que eu notava pássaros em revoada. Eu me peguei outras vezes observando curiosamente essas criaturas. Principalmente o vôo delicado e preciso dos bandos. Uma vez eu acabara de sair do Seelye Hall e me dirigia ao refeitório quando os vi. Um bando de pardais voava em direção ao carvalho em frente ao Lilly Hall. A revoada desenhou uma graciosa curva em pleno ar, rodopiou uma, duas, três vezes em círculos cada vez menores e finalmente pousou, como se todos fossem um só pássaro. Eu fiquei ali embasbacada, torcendo o pescoço para vê-los melhor. As folhas já haviam caído. Fazia frio. Eu me perguntei se eles não deviam voar logo para o sul antes que fosse tarde demais. Eu me preocupei com os pardais menores e com a comida que logo seria escassa. Tantas perguntas eu tinha. Sobre eles e sobre mim. “Amanhã será um novo dia e eles saberão o que fazer, mas por hora eles dormirão pousados no carvalho.” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(153, 0, 0);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(153, 0, 0);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Eu sabia que em breve seria eu a levantar vôo mais uma vez. Não para o sul, nem para casa, pelo contrário. A tristeza que tingia meus pensamentos nascera por eu saber que em breve teria que deixar o lugar que se tornara minha segunda casa rumo a Deus-sabe-onde. Em alguns meses eu receberia um certificado, um aperto de mãos e uma despedida. Então teria que empacotar meus pertences e partir. Sim, eu já disse que partidas são belíssimas e chegadas são alegres, mas as incertezas, as perguntas, as tristezas... essas todas fazem parte da viagem e eu não me sentia pronta pra deixar meu ninho aconchegante assim tão cedo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(153, 0, 0);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(153, 0, 0);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Chegando em casa me escondi embaixo das cobertas e espiei pela janela. Iluminados pelos últimos raios de sol eu vi os corvos ciscando e grasnando do lado de fora. O grasnado é um som rouco, quase irritado, mas ao mesmo tempo familiar, como a voz de uma irmã ranzinza de quem se sente saudades. São inteligentes os corvos. E não tem medo de gente. Às vezes um deles pousava bem na minha janela e me fazia perguntas ininteligíveis. “Caw caw” repetia o corvo virando a cabeça de um lado pro outro e me olhando com os olhinhos brilhantes. “Caw caw” pra você também, eu repetia sem saber de que outra forma explicar para o meu visitante que ele era benvindo. “Corvos dão má sorte,” me dizia minha amiga, assustada com a insistência do pássaro. “É mesmo?” eu perguntava distraída.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(153, 0, 0);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Hoje já fazem alguns meses desde que eu pedi por direção. Eu já recebi o aperto de mão, o certificado de conclusão de curso... Já levantei a taça de champagne em um brinde e posei ao lado de outras formandas dentro de nossos melhores vestidos. Meus pertences já estão empacotados e estocados no porão da casa onde eu morei por quase dois anos... E eu estou longe, em outra cidade, cheia de esperança de encontrar um emprego, de crescer, de fazer a diferença. Os pássaros já foram embora. Por toda a parte se vê a neve e a cada dia os termômetros marcam temperaturas mais baixas. -2, -10, -18, -23, e contando. As cartas ficam cada vez mais e mais esparsas, mas ainda escrevo, pelo menos enquanto for inverno.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(153, 0, 0);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(153, 0, 0);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Saudades sempre,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(153, 0, 0);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;E parabéns pelo grau!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(153, 0, 0);font-family:lucida grande;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);font-family:lucida grande;" &gt;Deborah&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-234942892651246260?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/234942892651246260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=234942892651246260' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/234942892651246260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/234942892651246260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2009/01/normal-0-false-false-false.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/SYSpR53iHTI/AAAAAAAAANE/s2K1DD0xBC4/s72-c/PC090200.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-6485967184352556615</id><published>2008-09-21T23:45:00.000-03:00</published><updated>2008-09-22T12:11:07.108-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/SNcJmcY584I/AAAAAAAAALc/nTUobLmVH_8/s1600-h/blog.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; 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 &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Anda com os pés plantados no chão - ta tão ta tão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Mulher.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;E tem vinte, quase um. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;E ela sabe dizer não. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;E se preciso ela diz sim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;E discutir é em vão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;E complicar é em vão. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Ela tem vinte, quase um.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Ela discorda e insiste.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;E olha no olho. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Ela intimida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Ela supera. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Ela é mulher. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;É fera, é fera.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Mulher de vinte, quase um.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Mulher de vinte, de vinte-e-um.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-6485967184352556615?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/6485967184352556615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=6485967184352556615' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/6485967184352556615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/6485967184352556615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2008/09/vinte-e-um-normal-0-false-false-false.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/SNcJmcY584I/AAAAAAAAALc/nTUobLmVH_8/s72-c/blog.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-2150151901730956172</id><published>2008-09-06T04:43:00.000-03:00</published><updated>2008-09-22T12:13:41.878-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/SMI0-VkpeII/AAAAAAAAAK8/ZBWARlw8VL8/s1600-h/Deborah+%26+Laura.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; 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 &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Você foi uma presença bondosa e tranquilizadora em minha vida por dois anos. Você cuidou para que eu estivesse sempre aquecida. Você abriu sua casa para que eu encontrasse um lar. Você me amou tanto. E eu recebi cada gota do seu carinho e cresci com ele. Me soltei, aprendi lições valiosas sobre como ser humana, sobre como ser corajosa. Eu te amo tanto. Tanto. Você deixou que eu fizesse parte da sua família. Você sentia orgulho pelo verde do meu passaporte. E o seu era azul, mas a diferença não importava. Sempre, o que importava era que nós estivéssemos juntas. Obrigada. Eu já sinto saudades. Eu queria dizer que não vou chorar, mas é mentira. Eu já chorei. Eu vou chorar ainda mais. Eu vou olhar pra arquibancada no dia da minha formatura, procurando o seu rosto. E o Steve vai estar lá. E eu vou usar os brincos que você me deu, e vou saber que você é uma parte imutável da minha história. Você já não pode ler essa carta, mas você já sabia disso que eu estou escrevendo. Você já havia lido em meu rosto o quanto eu te amo. Você sabia que eu choraria sua ausência. Ausência. Mas eu não preciso chorar sua perda, sabe? Porque não há nada nesse mundo que te tire de mim. Você deu o melhor de si, me deu amor. Isso fica, pra sempre. Sempre. Sempre.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Te amo,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="line-height: 150%;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:trebuchet ms;" &gt;Deborah&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-2150151901730956172?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/2150151901730956172/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=2150151901730956172' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/2150151901730956172'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/2150151901730956172'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2008/09/normal-0-false-false-false-en-us-x-none.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/SMI0-VkpeII/AAAAAAAAAK8/ZBWARlw8VL8/s72-c/Deborah+%26+Laura.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-292080003353602432</id><published>2008-01-23T21:23:00.000-02:00</published><updated>2008-01-25T00:54:12.429-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Para o meu amigo que também resolveu se aventurar em terras estrangeiras.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;César,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Essa semana eu finalmente cheguei em casa depois de mais de um mês de andanças. O quarto cheira a chá de alho com limão, as malas precisam ser desfeitas e eu tenho que ir até a farmácia comprar xarope. A neve recomeçou a cair lá fora, mas não faz frio, o que incomoda mais é o silêncio. Eu voltei mais cedo por causa do meu trabalho, mas o restante das alunas vai demorar mais um pouco pra chegar. A casa só volta ao normal daqui a uma semana quando as aulas recomeçarem. O corredor parece estranho sem o andar barulhento de minhas colegas. Ninguém bate na porta pra interromper meus pensamentos a cada meia hora. Nesse marasmo incomum eu encontro tempo pra colocar projetos antigos em ordem: limpar o quarto, redecorar as paredes, desfazer as malas, escrever no blog.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Um dos pensamentos que cruzou minha mente hoje foi sobre o quão interessante é morar sozinha. Eu sei que é um pouco de exagero chamar minha situação de “sozinha” afinal, apesar de ter um quarto só pra mim, eu ainda divido a cozinha, os banheiros e as salas de estar com as outras residentes. Isso sem falar nos corredores, que têm vida própria e servem de palco para altos bate-papos que duram horas e horas. Mas a questão é que nós todas moramos sozinhas juntas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Às vezes é difícil entender essa diferença, mas existem detalhes únicos que me lembram constantemente de que, no fim das contas, eu moro sozinha. Eu sei que moro sozinha quando não tem mais ninguém pra ir no supermercado no meu lugar. Quando a caixa de bombons não desaparece misteriosamente. Quando os sapatos embaixo da cama são todos do mesmo tamanho. Quando as fadas, gnomos, (mãe?!), ou quem quer que seja que costumava arrumar meu quarto quando eu morava em casa desistem de colocar ordem na bagunça. Quando os cosméticos na estante são todos para o meu tipo de pele... E, a prova irrefutável, quando o meu quarto está sempre silencioso e escuro quando eu chego de noite. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;São coisinhas assim do dia-a-dia que vão desenhando o perfil maior do que é, pra mim, viver aqui. Decisões pequenas sobre o tipo de biscoitos a ser comprado, ou grandes sobre quanto dinheiro é preciso economizar pra conseguir viajar no fim do mês, viram rotina. Já me disseram que morar sozinha é a melhor maneira de aprender a apreciar a roupa lavada e a comida quentinha da mamãe. Eu concordo. Mas morar sozinha tem um encanto único. Um gosto de independência e de superação. Cada lição aprendida é uma vitória! O frango que finalmente aprendi a temperar. A blusa de tricô feita à mão que eu aprendi a lavar sem encolher. O disque-comida-chinesa 24hrs que me salva num dia em que não dá pra cozinhar. As roupas de inverno que procurei por horas e consegui comprar com desconto. Coisas bobas assim que eu talvez não fizesse, não descobrisse, talvez nem tentasse, se não morasse sozinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Chegando em casa eu encontrei a bagunça que deixei pra trás. Tive que levar o tapete pra fora pra sacudir, aspirar, e aspirar de novo até tirar o pó. Limpar o quarto, arrastar os móveis, religar a geladeirinha... Sabe aquele conselho sobre não deixar a bagunça acumular? Ele agora faz sentido. Voltei das férias com planos de mudar os pôsteres de lugar, imprimir mais fotos da família para enfeitar a mesa de cabeceira, e pôr em ordem minha estante. Mas agora preciso é reabastecer meus estoques de granola, biscoitos, suco de laranja e iogurte. Mais uma ida ao supermercado! Eu moro sozinha no fim das contas, e acho até que gosto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Não te esqueças de me mandar um cartão postal quando chegares a Portugal!!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Tenho saudades de ti, gajo querido! =P&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;Deborah&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-292080003353602432?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/292080003353602432/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=292080003353602432' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/292080003353602432'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/292080003353602432'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2008/01/para-o-meu-amigo-que-tambm-resolveu-se.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-1278521311921633648</id><published>2007-12-08T23:25:00.000-02:00</published><updated>2007-12-08T23:27:23.467-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;Fran,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;Sono. Muito. Não, Francine, não se preocupe comigo que eu já sei que é preciso dormir direito. Foi só hoje. E talvez amanhã. Porque estão chegando as provas e eu tenho coisas pra estudar. Mas esse post na verdade não é sobre mim. O post é sobre o outono. Sim, o outono. Porque ele terminou hoje. Diz o calendário que ele não vai embora antes do dia 21 de Dezembro, mas para todos os efeitos hoje ele saiu pela porta e chamou o inverno pra ocupar seu lugar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;Começou com uma geada fininha caindo ontem à noite. Gelada. O chão ficou coberto de gelo escorregadio, como se andando nele a gente andasse num chão de vidro. Eu voltei pra casa tarde da noite, depois de passar algumas horas na biblioteca estudando. Voltei pra casa sem nem precisar levantar os pés. Fui patinando devagar, olhando pro céu com as mãos dadas atrás das costas. Geada não é igual neve. Neve cai em flocos. Geada cai em grãozinhos infinitesimais. Geada não dá pra ver. Bem, às vezes dá, mas só se você estiver olhando contra a luz. Aí você vai ver milhões de grãos flutuando, como se fosse poeira atravessando um raio de sol. Geada é mais “seca”, eu acho. Neve faz uma molhadeira só quando derrete. Geada nem tanto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;E o outono? Foi mesmo embora, eu acho. As árvores já estão todas desnudas. Olhando pela janela eu me perguntei por que será que as árvores são as únicas criaturas que ficam nuas no inverno e cobertas no verão. Elas dão um toque sobrenatural à paisagem branca com seus galhos esqueléticos balançando pra lá e pra cá. Daqui a alguns meses você chega. Já será pleno inverno. Pleno frio. Se Deus quiser vai ter geada de novo pra você entender de vez minhas descrições tão incompletas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;Fome. Muita. Nem tente me dizer que eu preciso comer direito porque eu vou dizer que como direitinho quase todo dia. Com exceção dos fins-de-semana. Hoje meu cochilo passou da hora e eu perdi o jantar. Vou dar um pulo na pizzaria daqui a pouquinho, mas enquanto isso vou aguentando essa roncação chata na barriga. Acho que vou pedir um big sanduíche de frango empanado, bacon de peru, queijo, alface, tomate, cebola... Gostoso... Calórico também, mas nada assim que estrague a silhueta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;Hoje comprei uma jaqueta nova, um caderno, e duas flores. A jaqueta é minha. O caderno eu vou transformar em livro e dar de presente pra um casal amigo que toma conta de mim nessa terra inóspita. Uma flor eu dei pra minha amiga e co-worker, Naomi (também conhecida como Nomee [nou-mí]). A outra flor eu vou dar pra Liz, minha amiga da Christian fellowship. Pra você esse ano nada de presente da natal. Porque eu sou a mais enrolada dentre todas as enroladas e corria o risco de você receber o presente em Abril e pensar que era por causa da Páscoa. Pra ficarmos todas quites você ganha o post desse mês como prova da minha amizade e da minha saudade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;Obrigada por compartilhar comigo sua alegria, Fran. Me fez muito feliz ouvir você contandoque foi selecionada no programa que queria tanto. E por um dia inteiro eu repeti sem parar sua história pra que meus amigos soubessem o motivo do meu riso fácil. Todas me pediram que te mandasse os Parabéns. Parabéns!!!!!!!!!!!!!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;Te amo muito, Fran! Mais que sorvete de passas ao rum!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;Beijão,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;Deborah&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-1278521311921633648?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/1278521311921633648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=1278521311921633648' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/1278521311921633648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/1278521311921633648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2007/12/fran-sono.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-6659702707552377720</id><published>2007-10-22T13:57:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T21:35:28.080-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RxzLSyLF4jI/AAAAAAAAAHU/Z2fO1ZyqvGk/s1600-h/collage.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RxzLSyLF4jI/AAAAAAAAAHU/Z2fO1ZyqvGk/s400/collage.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5124193999607161394" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt; &lt;p class="MsoNormal"  style="line-height: 200%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Tia Rejane,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 200%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;A essa altura você já deve ter assistido ao DVD do recital da Mai. Então eu não preciso descrever o quão incrível foi vê-la, com o vestido mais lindo, tocando a música mais sincera em cima do palco. Para transmitir essa imagem nem mesmo se eu usasse mil palavras. Eu já sabia que a Mai tocava violino muitíssimo bem, mas de pertinho, assim da primeira fileira, a emoção foi tanta que embotou a memória e me parecia que era a primeira vez que eu a ouvia tocar. Espiei Tio Antônio com o canto do olho e vi que ele fazia força para segurar o choro. Torci um pouquinho o pescoço para apreciar a platéia e vi dezenas de olhos brilhantes, voando atentos em direção à música da Mai. Me endireitei na cadeira para ser mais um par de olhos na platéia e tive que segurar o sorriso, porque parecia que a cada acorde minha alegria aumentava e não há rosto que agüente um sorriso tão grande. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 200%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Assistindo à Mai tocar tão concentrada me bateu um orgulho imenso de ser parte da família. Ela vai puxar minha orelha se ler a próxima frase, mas eu não consigo deixar de me surpreender com o jeito tão carinhoso com o qual vocês me receberam na família. Da última vez que eu disse algo parecido ela me respondeu que família é família e ponto final. Mas pra ser família é preciso mais que nascer com um tanto de DNA compartilhado. É preciso um nascer no coração do outro.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Encontrar a Mai em Boston no ano passado foi como... como... complicado explicar. Só sei que de lá pra cá Boston já se transformou na minha cidade americana favorita. Chegar em Boston é quase como chegar em casa e passar no apartamento da Maiani é como encontrar um pedacinho do Brasil nessa banda norte do mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 200%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Ir pra pizzaria depois do recital foi uma experiência à parte. Era tanta gente, mas tanta gente que eu não consegui guardar nem um quinto dos nomes. Era violinista, violoncelista, trompetista, pianista, baterista, e mais outro tanto de gente que era amiga de outras áreas e, como eu, não tocava instrumento nenhum. Dava pra ver em cada um o quanto a Mai é importante. Sabe quando o carinho é tanto que os olhos parecem meio derretidos? Então, o restaurante estava cheio de olhos derretidos (sendo que os de tio Antônio desbancavam qualquer concorrência).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 200%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Depois da pizza foi hora de voltar pra casa e beber o chá de maracujá que a Mai me preparou antes de eu dormir. Melhor que isso só acordar de manhã e ouvir risos no quarto e um falatório em português da Mai contando histórias pro tio e vice-versa. Torrada com geléia no café da manhã, mingau de aveia, e Chai com leite de soja. A gente comendo e o gato injuriado tentando subir na mesa pra pegar um teco. Foi mesmo um final de semana inesquecível.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 200%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Ela já me avisou que em Abril tem outro recital. Eu prometi que volto e consegui que ela prometesse vir me visitar algum dia. Tio Antônio já me fez morrer de rir com histórias do tempo em que era soldado. Mai me faz sorrir sempre com seus abraços apertados e o sotaque aconchegante. Agora falta só eu encontrar você e Irani pro grupo ficar completo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 200%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Beijão, tia!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; line-height: 200%; font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Deborah&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-6659702707552377720?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/6659702707552377720/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=6659702707552377720' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/6659702707552377720'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/6659702707552377720'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2007/10/tia-rejane-essa-altura-voc-j-deve-ter.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RxzLSyLF4jI/AAAAAAAAAHU/Z2fO1ZyqvGk/s72-c/collage.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-2675433404194817230</id><published>2007-09-28T20:49:00.000-03:00</published><updated>2008-01-25T00:59:52.134-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 200%; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Pra quem me pergunta “E aí, Deborah? E a vida?”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 200%; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;A vida? Minha vida é toda cheia de amor. Pelos outros. Por mim. Por Deus. De todos os lados. Porque amor às vezes parece estrada: leva pra todo lugar e funciona pra quem vai e pra quem vem. Minha família me ama. Meus amigos me amam. Eu também me amo. E Deus me ama de um amor sem tamanho. Minha vida é justamente esa intercessão de tantos amores. E se amor não desiste nunca, tampouco eu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 200%; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Minha vida é cheia de gente. É tanta gente que até dá vertigem. Gente dá medo. E se um dia toda essa gente some? E se mais gente aparece? E se as gentes mais importantes forem passantes? Itinerantes? Ter gente é ter sempre um problema e ter também mil soluções.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 200%; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Minha vida é cheia de poesia. Seja ela em verso ou prosa. Porque sou de mainha. Minha mainha que escrevia versos caprichados num caderno perfumado. E porque sou de painho. Meu painho que contava historias de caçadores e pássaros cantantes. É cheia de palavras essa minha vida. As que eu ganhei, as que eu criei, e as que eu encontrei nessas andanças.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 200%; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;É cheia de música essa minha vida. Cheia de dança, movimento. Pra me lembrar sempre de ser criança. Correr escadaria abaixo na hora da janta e girar abraçada ao poste em frente à rua. Acordar de manhazinha pra ouvir um passarinho escondido e ligar o meu radinho até acabar a bateria. Um bater de palmas e um pulo, se me surpreendo. Uma careta e um riso, se me atribulo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; line-height: 200%;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;font-family:georgia;" &gt;Minha vida é bonita, bonita. É feita de dias de sol, tardes de chuva, e noites de cobertor. Se eu disser a verdade ninguém acredita. É simples demais. É perfeita em seus poréns. Tem choros longos, tem risos largos e tem abraços, bons abraços. Minha vida começa no Rio e não termina, não termina. Porque se eu penso em acabar é pra recomeçar em algum outro lugar. A canção que me embala é “Vou voltar; vou voltar.”&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-2675433404194817230?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/2675433404194817230/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=2675433404194817230' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/2675433404194817230'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/2675433404194817230'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2007/09/pra-quem-me-pergunta-e-deborah-e-vida.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-8683757991925320350</id><published>2007-09-15T02:52:00.001-03:00</published><updated>2008-12-09T21:35:28.348-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);" lang="PT-BR"&gt;Airton!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Faz tempo que nã&lt;/span&gt;o nos falamos, meu amigo. Aqui já não é inverno. O sol me acorda todos os dias às 8 da manhã junto com o ronco do ventilador que sacode os meus lençóis. O fiapo de luz que entra pela janela revela grãos infinitesimais de poeira que reluzem dourados como enfeites microscópicos. O quarto é de uma bagunça familiar que já não me assusta mais. Há roupas pelo chão. Há chinelos pelo chão. Há farelos, trecos e tralhas pelas estantes e mesa. Pendurei as flores de pelúcia que ganhei da amiga Maria na parede ao lado das fotos da família. A canga colorida com os arcos da Lapa e o céu azul brilhante está pendurada na parede em frente à cama pra me lembrar sempre de casa. Tenho suco de goiaba e chá gelado de romã com maracujá na minha geladeira. Chocolate e Cheetos na bandeja e um pêssego escondido em algum lugar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Tanta descrição é pra você saber que tudo vai bem, que tudo tem seu lugar por aqui e eu vou também encontrando minhas estantes, bandejas e espaços em geral nessa faculdade. A casa já não me assusta e as pessoas têm sorriso fácil. No inverno acenderemos a lareira e assaremos marshmallows todas juntas pra espantar o frio. Mas agora ainda é verão e nós fazemos piqueniques no gramado em frente à casa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Eu te contei que mudei para uma nova casa? Maior, mais antiga e com chão de tábua corrida que range à meia-noite. Minha casa antiga, a querida Duckett House, ficava na rua principal em frente ao museu, perto do Campus Center, a uma quadra da farmácia e a 10 passos da mercearia. Tudo era perto. Agora estou em Morris. A casa me lembra o meu irmão. Não porque seja velha e rabugenta, mas porque fica perto da academia, das quadras de esporte, do teatro e do lago. A pizzaria fica na esquina e a biblioteca logo atrás, mas eu não gosto de pizza e a biblioteca daqui é de ciências (quase grego pra mim). Essa nova realidade geográfica já imprime suas marcas nos meus horários. Eu tenho aula de Pilates às 8 e Auto-Defesa no fim da tarde. O lago fica logo ali, então vou tentar remo nos fins de semana. Se continuar assim eu vou acabar descobrindo que amo pizza e que a biblioteca de ciências é meu sonho de consumo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Caminhei sozinha hoje. Havia muito a se fazer, mas eu não queria fazer nada, então fui caminhar.  Eram seis e meia da noite, mas o sol ainda estava longe de se pôr. Sentei-me na escadaria que dá de frente pro lago e me lembrei do dia, no ano passado em que eu cruzei pela primeira vez a ponte vermelha de madeira. Às sete horas o sol encontrou o ângulo perfeito para atingir meus olhos. Levantei o rosto num queixume mudo e estendi o braço numa espreguiçada longa. A luz fez sua própria ponte sobre a minha pele. Da ponta do dedo médio até o pescoço, se espalhando pelos ombros e cabelos, o sol desenhou uma linha amarela e morna. Ergui o outro braço pra construir pontes gêmeas e ri de minha bobice. Queria poder segurar essa quentura e guardá-la ate que o inverno volte. Eu a esconderia em meus sapatos, para manter os pés sempre quentes e em constante espírito de veraneio. No caminho de volta vi uma menininha correndo com uma flor. O pai lhe gritou alguma coisa em francês e ela respondeu numa fala enrolada que só as menininhas e os menininhos têm. Lembrei das menininhas da minha irmã. Da Maduca-coisa-linda-mais-fofa-da-titia e da Belita-bochechudinha-mais-gostosa-da-titia. Quando eu voltar a vê-las elas estarão andando e falando e eu vou ficar com cara de boba – extasiada de&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt; tanta felicidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Te contei que eu caí de um touro mecânico? &lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RutzXI31H0I/AAAAAAAAAGM/74suqMpPkr8/s1600-h/huh.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RutzXI31H0I/AAAAAAAAAGM/74suqMpPkr8/s200/huh.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5110305043537796930" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Caí. Me machuq&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;uei,&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt; mas acho que faria de&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Rutz2I31H1I/AAAAAAAAAGU/R3J39r0VOvo/s1600-h/bull.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Rutz2I31H1I/AAAAAAAAAGU/R3J39r0VOvo/s200/bull.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5110305576113741650" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt; novo se pudesse, porque foi&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt; divertido e quando eu tiver 80 anos vou&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt; contar essa história pros meus netos. Era um rodeio meio estilizado – com touro mecânico e fantasias antigas. Dá pra me ver no vestido roxo aí na foto. E montada no touro. Não durei nem 5 segundos na brincadeira, mas minha amiga foi gentil o bastante para não registrar a nada-graciosa-queda.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Ito, hoje já é outro dia. Esse post demorou tanto pra ser escrito que já nem faz sentido usar “hoje”. São histórias de vários dias acumulados que eu queria te contar, mas daí o post fica grande demais. Hoje se completam 8 dias desde que eu comecei a escrever. Hoje é sexta-feira, ou sábado. Hoje são 1:12 da madrugada e eu estou sem sono. Estou ouvindo Maroon 5 e com vontade de rir e chorar ao mesmo tempo. O riso é por culpa de um amigo engraçadíssimo e insone que está conversando comigo via Gmail. O choro é bobagem. Culpa de uma lata que eu não consegui abrir. Eu arrumei tudo: comprei leite condensado, chocolate, coco, granulado... Tudo certinho pro meu brigadeiro. Ai eu desço toda serelepe pra cozinha e o que acontece?! Eu lembro que não tenho abridor de lata. Eu andei pela casa toda perguntando se alguém tinha um e necas... Me deu vontade de chorar e a vontade não passou até agora. Coisa pouca, não? Mas eu queria tanto... Liguei pra alguns amigos pra ouvi-los dizer que isso era bobagem. Eles fariam piadas e eu riria até esquecer o brigadeiro. Mas ninguém está em casa, hoje era sexta-feira e agora é sábado. Amanhã eu encontro um abridor e o brigadeiro pára de me incomodar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Acho melhor terminar por aqui. Já é muito tarde e eu só sentei pra escrever porque um amigo me lembrou. Ele me entende nisso de atraso. Foram várias as vezes em que nos encontramos no trem – ambos atrasados para a faculdade. Airton!! Tenho saudades das nossas conversas filosóficas!! Se cuida, guri.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Abraço apertado, &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" &gt;Deborah&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-8683757991925320350?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/8683757991925320350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=8683757991925320350' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/8683757991925320350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/8683757991925320350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2007/09/airton-faz-tempo-que-no-nos-falamos-meu.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RutzXI31H0I/AAAAAAAAAGM/74suqMpPkr8/s72-c/huh.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-7078817253757114055</id><published>2007-07-06T10:09:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T21:35:28.739-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Pra quem sempre me faz tão bem,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia em que completei vinte anos a estação não era a mesma de sempre. Eu, nascida em meados do outono, apaguei minhas velas sem sequer uma sombra de folhas amarelas ou frutas maduras. Nesse vigésimo ano o meu outono foi ao contrário. Acordei por acidente, enquanto minhas anfitriãs se arrumavam para ir trabalhar. Continuei deitada, os olhos semicerrados, em silêncio para que elas não se sentissem culpadas por me acordar as sete no dia que devia ser meu. Ouvi o bater suave da porta da frente e o primeiro pensamento que tive foi “Você hoje tem vinte anos”.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000099;"&gt;“Vinte anos”, foi exatamente como eu pensei. E me deixei ficar deitada sobre as cobertas, incomodada pelo calor das janelas fechadas contra mosquitos. Tentei entender a riqueza desse presente que é estar viva e acordar um dia para pensar que se tem vinte anos nas costas, nas mãos, nos olhos e nos lábios. As cortinas improvisadas de algodão estampado se penduravam pacificamente nas janelas. Elas não impediam a luz de entrar, muito menos conseguiam impedir o calor de se insinuar para dentro do quarto como um segundo hóspede. Eram alegres, eu preciso dizer, para que se entenda que até mesmo cortinas inúteis podem fazer bem. Fui ficando, os olhos se acostumando com a nova idade e com a nova manhã, enquanto as gotas de suor se formavam entre minha pele e a camiseta escura de algodão.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000099;"&gt;As pernas foram as primeiras a acordar. Deixaram a cama carregando todo o corpo consigo. A primeira tarefa foi inspecionar a casa em busca de afazeres. Encontrei a cozinha quase pronta, com exceção dos pratos do jantar que cozinháramos na noite anterior. Voltei ao quarto abafado à procura da calça que fora dispensada durante a madrugada quando o calor foi tanto que até mesmo os mosquitos – castigo certo se eu resolvesse abrir as janelas – me pareceram razoáveis. Já devidamente paramentada me dirigi à cozinha e guardei a louça que escorrera. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O silêncio só não era perfeito pelo trinar dos passarinhos que se escondiam nas folhagens logo &lt;/span&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Ro5JBB73ZaI/AAAAAAAAAFI/AepUa7DWwx8/s1600-h/Deborah+XX+e+suas+sobrinhas+088.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5084081311396095394" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Ro5JBB73ZaI/AAAAAAAAAFI/AepUa7DWwx8/s320/Deborah+XX+e+suas+sobrinhas+088.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;fora das janelas. E antes mesmo de começar a limpar tive vontade de barulho, muito barulho. Eu queria música alta ecoando em ritmos que me lembrassem de casa. Corri de volta ao quarto e escolhi o último volume para ouvir o CD de música latina que um amigo havia esquecido comigo. Terminei os pratos em menos de uma hora e a essa altura os planos para o dia já estavam amadurecidos. Com a agenda em minha cabeça voltei ao quarto para me vestir. O sol já brilhava a toda e as cortinas coloridas pareciam emprestar seu calor vibrante a tudo no quarto. O sol, a quentura, o barulho. Tudo parecia tão demais e eu me lembrei do que faltava. Desliguei o som para começar o dia como se deve. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Fui até a sala porque lá era a parte mais fresca da casa e sentei no sofá. Fechei os olhos para oferecer uma oração de agradecimento Àquele que tem cuidado de mim desde sempre. Teci uma lista, o mais detalhada possível, com “obrigados” de cada ano passado. Pessoas, lugares, saúde, amor, segurança, família, amigos, viagens, retornos... Agradeci pelos tetos que me abrigaram ao longo dos anos. Agradeci pelos dias de chuva e pelos de sol. Enquanto orava entendi melhor o versículo que diz “entrarei por suas portas com gratidão.” A cada agradecimento eu me sentia mais perto, mais em casa. A cada item da lista eu me sentia mais certa de que os vinte anos passados haviam sido um presente e eu havia crescido mais do que podia entender. Não sei quanto tempo passei ali, mas quem me conhece sabe que os agradecimentos não são poucos. Me levantei em atenção à segunda parte do mesmo versículo – “por seus átrios com hinos de louvor.” Cantei com minha voz desafinada as canções que aprendi com minha mãe. São aquelas canções sem letra nem ritmo, mas que nascem do coração grato e feliz. Elas simplesmente aparecem conforme o ar escapa por entre os lábios. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000099;"&gt;Enquanto cantava caminhei até a janela. Do lado de fora um bando de passarinhos saltitava nas árvores e nos cabos telefônicos da casa vizinha. Meus olhos vagaram até encontrar o menor deles. A penugem era diferente. Ele certamente não tinha vinte anos. Talvez tivesse vinte dias. Um passarinho maior tentava empurrá-lo do telhado, mas ele dava pulinhos na beirada sem se deixar cair. Ele pulou do telhado para a fiação e quase perdeu o equilíbrio. De lá pulou para uma arvorezinha mais próxima e ficou nesse pula-pula de galho em galho. Encostei meu rosto na tela de arame contra insetos e esperei pelo primeiro vôo daquele animalzinho emplumado. Foi curto - e mais parecia uma queda-livre – mas ele finalmente se arriscou a chegar à outra árvore. Eu queria encontrar um significado especial para esse passarinho que me brindou com um vôo solo no dia do meu aniversário. Não pude. Guardei sua lembrança e o seu trinado desesperado enquanto batia as asas tentando se equilibrar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000099;"&gt;Dali corri para o chuveiro pra me preparar para o grande dia. A lista de supermercado escrita às pressas dava uma pista do que seria o jantar. Macarrão, tomates, cebola, manjericão, azeite, queijo, bife e arroz para minha amiga alérgica a massas. Correu tudo bem. Encontrei tudo o que precisava encontrar no mercado e quando cheguei em casa já era hora de pôr tudo na panela. Minhas convidadas chegariam a qualquer momento e lá estava eu: descabelada, suada, com cheiro de cebola refogada...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Ro5B8h73ZXI/AAAAAAAAAEw/6L63QExSxZA/s1600-h/Deborah+XX+e+suas+sobrinhas+091.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Ro5EyR73ZYI/AAAAAAAAAE4/vpAhKBglCws/s1600-h/collage.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5084076659946513794" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Ro5EyR73ZYI/AAAAAAAAAE4/vpAhKBglCws/s320/collage.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Louisa, Margaret, Tenzin e Pyae vieram bem a tempo de aumentar a bagunça. Era gente picando cebola dali, outra lavando o arroz de lá. Mais uma do outro lado ralando o queijo... Foi uma bagunça muito bem temperada e com pitadas de surpresa que elas trouxeram escondidas em caixas de papelão com o logotipo da doceria da cidade. O que era pra ser macarronada virou bolinho de arroz. Arroz – eu havia esquecido – é o prato principal no Tibet, na Nigéria, no Quênia e em Myanmar. Só de ver a sacola com o tão querido cereal minhas amigas ficaram histéricas, cada uma querendo preparar o prato à moda de seu país. Pyae venceu e nós comemos bolinho de arroz ao molho de tomate com pedacinhos de bife. O macarrão também entrou na brincadeira, como segundo prato e, modéstia a parte, minha mãe me ensinou direitinho a fazer macarrão.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000099;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Ro5HcR73ZZI/AAAAAAAAAFA/7J9J-0Nda8s/s1600-h/collage1.jpg"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5084079580524275090" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Ro5HcR73ZZI/AAAAAAAAAFA/7J9J-0Nda8s/s320/collage1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;As caixas-surpresa eram as sobremesas: sorvete, croissants de chocolate e um bolo enorme de chocolate com morango e chantilly. Cantamos “Parabéns pra você” em várias línguas diferentes ao redor do bolo iluminado de velas. Até minha família se juntou ao grupo em uma aparição virtual. Da tela do computador saudaram minhas amigas por todo aquele carinho que me fazia tão bem. Meu little bro se arriscou no inglês, mas não conseguiu ir longe porque a cada minuto alguém do meu lado interrompia para dizer o quanto minha família era bonita. Foi um dia feliz graças a Deus e às pessoas incríveis que estiveram comigo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000099;"&gt;Dormi pensando “Vinte” e escutando as baladas suaves de Buena Vista Social Club.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho saudades sempre,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deborah&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-7078817253757114055?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/7078817253757114055/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=7078817253757114055' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/7078817253757114055'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/7078817253757114055'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2007/07/pra-quem-sempre-me-faz-to-bem-no-dia-em.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Ro5JBB73ZaI/AAAAAAAAAFI/AepUa7DWwx8/s72-c/Deborah+XX+e+suas+sobrinhas+088.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-6433461709170556504</id><published>2007-05-26T21:46:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T21:35:28.881-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="color:#000099;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(0,0,102)"&gt;Aninha,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,102)"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Acordei às seis da manhã. Os lençóis jogados no chão junto com as meias; a mala aberta, revirada, encostada no canto do quarto. Um calor de sufocar brasileira me impediu de voltar a dormir. O despertador tocou as 6:15 me lembrando de ir trabalhar, mas o travesseiro cobrava as horas de descanso que eu não tive essa semana. Disquei o número da cozinha em Comstock House para avisar ao cozinheiro-chefe que eu chegaria quinze minutos mais tarde e, sentada na beirada da cama, ouvi a voz da Hebe cantando uma melodia quase esquecida: “Ah! Esse cara tem me consumido...”&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,102)"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Em noites quentes, antes de eu me mudar pra essa banda do mundo, eu apagava as luzes da sala e ligava as da varanda. O CD da Hebe, podem me chamar de brega que eu não ligo mais, tocava modinhas melosas e eu ia até a cozinha tirar minha Maria para um bailado. As luzes apagadas da sala eram para espantar o calor e as luzes acesas da varanda transformavam a porta envidraçada em espelho. Recomendo a todo filho ou filha que tire sua mãe para dançar ao menos uma vez na vida. Essa memória me faz bem até hoje. &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;A voz da Hebe, brega ou não, se mistura a imagens de Cazuza com suas letras rebeldes e Maria, de avental, dançando na sala.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,102); TEXT-INDENT: 0.5in"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;A manhã tão quente e o quarto, escuro por causa das cortinas pesadas, acordaram a melodia que me perseguiu a manhã inteira. Cansada, muito cansada das duas semanas intensas de trabalho que seguiram duas semanas intensas de provas. Consumida, se posso exagerar um pouco, pelo mês que atravessei a galope. Sem tempo sequer para meus escritos. Não reclamarei das provas. Elas são passado e, findo o stress, se transformam em boas notas. Do emprego tampouco eu posso reclamar: se sobra cansaço, sobram também histórias para fazer rir qualquer um que me conheça. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,102); TEXT-INDENT: 0.5in"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;O inverno ficou pra trás junto com as aulas. Cada dia amanhece mais quente do que o anterior e os jardins acordam descansados, felizes por escapar da neve. A caminho de Comstock eu desço a alameda principal e atravesso em frente à igrejinha branca. Passo por baixo das árvores choronas e viro à direita em frente ao lago. No fundo da cena vejo o balanço de madeira e a casa dos barcos à beira d’água. Músicas não-inventadas circulam frescas pela minha cabeça durante o desfile de pequenas belezas que pipocam por todos os cantos do campus. De tudo o que me encanta mais é um arbusto colorido de lilases. O cheiro me alcança estando eu ainda em frente à igrejinha, mas as cores se escondem at&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;é &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;a virada da rua que serve de atalho. O arbusto de lilases perfumados cresce forte atrapalhando o caminho de pedestres desatentos. As flores delicadas são tantas que vergam os galhos em uma cortina sobre a calçada e eu passo sob o arco florido todos os dias de manhã, feliz da vida por ter um nariz e dois olhos funcionando bem.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,102); TEXT-INDENT: 0.5in"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Uma vez por ano as ex-alunas voltam à faculdade para um final de semana de celebração: é a Reunion Weekend. Surpreendente é encontrar mulheres de todas as idades e receber um aperto de mãos vigoroso da senhora de 95 anos que veio celebrar sua graduação de 70 anos atrás. Elas passeiam pelo campus num êxtase de orgulho pelo passado (que construíram atravessando preconceitos e diferenças) e pelo futuro (garantido pelos rostos jovens das atuais alunas). O campus precisa estar perfeito e a faculdade conta conosco, as alunas-trabalhadoras, para colocar tudo em ordem em menos de uma semana. De segunda a quarta os times limpam as casas, fazem as camas, e colocam balas de menta nos travesseiros. Se isso não é tarefa pra consumir qualquer mocinha eu não sei o que é.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,102); TEXT-INDENT: 0.5in"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;Visualize uma casa de três andares, com oitenta quartos, quatro suítes, seis salas de estar e um salão de jantar iluminado por candelabros de cobre. O chão é de tábua corrida, os móveis antigos de madeira atraem pó com habilidade formidável, e as janelas são todo um capítulo à parte. É uma bela casa, separada em duas alas por um pátio verde de grama e sol. Imagine, se puder, os sofás e as tapeçarias na biblioteca do primeiro andar junto com os livros que eu não tenho tempo de ler. A casa se chama Comstock-Wilder e essa semana eu passei boa parte do meu tempo esfregando o assoalho, desinfetando paredes e limpando as tais belas janelas. Meu time (que incluiu sete moças e uma coordenadora) ficou responsável por limpar a ala sul da casa (Comstock). “Vá polir rodapés!”- a coordenadora me disse - e lá fui eu, com um paninho amarelo e uma lata de lustra-móveis, esfregar os rodapés.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,102); TEXT-INDENT: 0.5in"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Quintas-feiras chegam pra me vestir de calça preta, top e salto alto. O conjunto se completa com o sorriso que vem do lado do meu pai. “May I help you?” (Em qu&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;ê&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; posso ajud&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;á&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;-la?), perguntado com a entonação correta e com boa vontade estampada nos olhos, garante dias menos estressantes. Gentileza, dizia o poeta, gera gentileza. Eu concordo. Secretária... Nessas duas semanas eu atendo telefones no escritório central que coordena as atividades da Reunion. Me imaginar de jeans e camiseta esfregando o chão pode ser difícil (principalmente para a minha Maria que vai dizer que em casa nem lavar pratos eu queria) mas me ver de terninho e sorriso colgate saudando as visitantes e atendendo dezenas de telefonemas soa mais familiar. Eu não trabalho sozinha, e nem sou uma recepcionista fantástica. Ainda me enrolo com os papéis e fico meio perdida quando as três linhas tocam ao mesmo tempo e alguém bipa o interfone. Nessas horas dou graças a Deus pela minha amiga búlgara que é a outra recepcionista. Ela se chama Veselina, mas o apelido é Vessi. Uma moça baixinha, com cara e roupas de boneca. Até o sapato rosa entra no figurino sendo combinando com a maquiagem bem feita. Vessi &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;é &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;um primor de secretária e companheira de risadas nesse escritório.&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5084083188296803762" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Ro5KuR73ZbI/AAAAAAAAAFQ/1tXeNHGwkUw/s320/Deborah+XX+e+suas+sobrinhas+082.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,102); TEXT-INDENT: 0.5in"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color:#000099;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Apesar do trabalho &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;é&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; mais fácil apreciar a faculdade agora que as aulas se foram. Não digo que tenha tempo para passear livre pelos bosques, mas pelo menos tenho a chance de assistir filmes tarde da noite com a amiga queniana, ou passear pela trilha com a amiga tibetana antes do entardecer. Dias bons e compridos nesse verão que me pegou de jeito. Horas de espera que se acabam em paciência por saber que a volta ao lar chega cada vez mais perto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,102); TEXT-INDENT: 0.5in"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000099;"&gt;Eu volto!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,102); TEXT-INDENT: 0.5in"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000099;"&gt;Deborah&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-6433461709170556504?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/6433461709170556504/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=6433461709170556504' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/6433461709170556504'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/6433461709170556504'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2007/05/aninha-acordei-s-seis-da-manh.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Ro5KuR73ZbI/AAAAAAAAAFQ/1tXeNHGwkUw/s72-c/Deborah+XX+e+suas+sobrinhas+082.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-8906211569485925247</id><published>2007-04-26T23:20:00.001-03:00</published><updated>2008-12-09T21:35:30.845-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjPr4PdDFaI/AAAAAAAAAEg/DKlWJbbnbRE/s1600-h/pedra.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjPr4PdDFaI/AAAAAAAAAEg/DKlWJbbnbRE/s320/pedra.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5058646157920769442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" &gt;Luzia,&lt;/span&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O sol de sexta-feira me pegou de surpresa.&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt; Luziu (me desculpe o trocadilh&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;o) como se aqui&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt; fosse o Rio, como se fosse verão! A caminho da aula a jaqueta virou penduricalho no braço e o&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt; casaco de moletom abriu o fecho-eclér pra deixar a brisa entrar. O sol na cabeça era companhia&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt; inesperada e eu olhei para o céu azul em uma saudação ao bom tempo. Esse foi o prenúncio do final de semana mais azul da minha história de imigrante.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Sábado acordei bem disposta. Feliz. Era o fim de semana de “Collaborations,” projetos de pesquisa entre alunas e professores que culminam em palestras geralmente interessantes. Abri os olhos de cara pra janela aberta e dei bom-dia a minha colega de quarto que vestia uma saia desfiada. Pulei no chão e pus-me a escolher qual seria o figurino do dia. O bom tempo de sexta-feira fora um augúrio de verão, mas eu optei pela desconfiança e escolhi botas e calça comprida. Tomei café da manhã num zás-trás e parti em direção ao Engineering Building, sala 102. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;A palestra era sobre a vitória de Bachelet nas últimas eleições Chilenas. Cheguei em cima da hora e o único lugar disponível era uma mesa encostada no fundo da sala.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Acenei para a professora e me encarapitei em cima do móvel. Slides iam e vinham e as minhas pernas balançavam juntas enquanto eu acompanhava a história. Eu podia te contar agora sobre como Bachelet venceu os demais candidatos, mas isso é papo mais comprido. Fica pra quando a gente almoçar empadão da Dona Elza num banquinho de pedra. O que importa saber é que eu fiquei até o final da apresentação e de lá saí para almoçar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Por causa das “Collaborations” nesse dia não houve almoço nas casas. Ao invés, sanduíches, frutas e saladas foram servidas no ginásio central. Encontrei Shaharzad na seção de sobremesas sem saber que sorvete escolher. Eu escolhi sanduíche de peito de peru com cranberries e uma garrafa de água. Caminhamos juntas até uma colina que tem vista pro rio e sentamos à sombra de uma árvore para almoçar. Mariavic se juntou ao grupo e nós contamos histórias de infância ao cheiro de grama fresca.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;A meia de lã pinicava por baixo das minhas botas e eu puxava e repuxava a gola da camisa. Um calor gostoso se desprendia de tudo e eu me sentia em casa à luz do sol. “Quais são os planos pra hoje? Dever de casa?,” perguntou Mariavic. Eu sacudi a cabeça sorrindo. O rio, a brisa, a grama, as amigas. Tudo me pedia que ficasse. “Hoje não. Dever de casa fica pra amanhã.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Shary e eu concordamos em passear em torno do lago, mas antes precisávamos passar &lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjFjEfdDFQI/AAAAAAAAADQ/Fsx9E--yqqc/s1600-h/road.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjFjEfdDFQI/AAAAAAAAADQ/Fsx9E--yqqc/s200/road.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057932785327740162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;em casa. Fomos primeiro até Duckett porque eu já não agüentava as meias de inverno. Revirei as gavetas à procura de algo que servisse num dia tão quente e não custei nada a achar o que queria.&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt; Desdobrei com carinho a saia azul, escolhi a camiseta florida de fundo&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjFjNvdDFRI/AAAAAAAAADY/ihuawDhhHX0/s1600-h/road2.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjFjNvdDFRI/AAAAAAAAADY/ihuawDhhHX0/s200/road2.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057932944241530130" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt; anil e desembrulhei a sandália rasteira – todos três presentes da minha&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt; mãe. De lá fomos até Sessions, a casa onde Shary mora, para pegar a câmera e escolher um vestido. Vestido... Difícil foi convencer minha amiga muçulmana a não usar calças por baixo da saia! “Mas, Deborah, esse é curto demais!,” ela reclamava de um que lhe chegava aos joelhos. Concordamos que o dia estava bonito demais para discordâncias e ela venceu: a calça de algodão foi por baixo do vestido estampado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Na saída de casa esbarramos com Roya, a outra aluna afegã. Travamos os braços dela, que planejava voltar pra casa para um cochilo, e a levamos conosco até o lago. Eu sentei num banco de pedra e estiquei as pernas branquelas no sol amarelo. Shary e Roya se estiraram na grama e cantaram uma canção em parsi. Passamos uns vinte minutos ali, respirando fundo, vivendo. Fechei os olhos e agradeci pelo calor, pela luz, pelo bom tempo... Agradeci pelas amigas e pela vista tão tranqüila.&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjPqSfdDFVI/AAAAAAAAAD4/SGxa-AK7MDk/s1600-h/sentada.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjPqSfdDFVI/AAAAAAAAAD4/SGxa-AK7MDk/s320/sentada.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5058644409869079890" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjFeqvdDFJI/AAAAAAAAACE/X1zwpi9AHhY/s1600-h/sentada.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjFeqvdDFJI/AAAAAAAAACE/X1zwpi9AHhY/s400/sentada.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057927944899597458" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span  lang="PT-BR" style="font-family:georgia;"&gt;“E agora fazemos o quê?” - era Shary que já sacudia a grama do vestido e puxava Roya pela manga da camisa. “Não fazemos nada, Shary, essa é a idéia,” eu respondi preguiçosa. Ela sentou de novo, mas sem vontade e eu tentei encontrar algo que pudéssemos fazer juntas num dia tão bom. Child’s Park! O jardim público que fica a meia hora de distância me veio à lembrança como o destino perfeito para o dia perfeito. Minhas amigas não sabiam onde era o parque, e eu saltitei de alegria ao pensar no quanto ia ser divertido lhes apresentar o lugar. Corremos para casa e eu me esgueirei até a cozinha para surrupiar um pedaço de bolo. Raj, o cozinheiro me pegou com a mão na massa e adivinhou meus planos. Ele, com uma piscadela, me apontou os guardanapos e perguntou se eu queria também algumas frutas. Eu agradeci de boca cheia e corri pra fora da cozinha antes que a cozinheira chefe aparecesse sem aviso.&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjPqxfdDFWI/AAAAAAAAAEA/E4dHGSRCf8Q/s1600-h/roya+e+eu.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjPqxfdDFWI/AAAAAAAAAEA/E4dHGSRCf8Q/s200/roya+e+eu.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5058644942445024610" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:lucida grande;"&gt;&lt;span  lang="PT-BR" style="font-family:georgia;"&gt;A fome era tanta que fomos comendo pelo caminho e em três minutos só sobraram farelos. O vento de meio de tarde me fez lembrar das horas que passamos juntas num outro jardim, de outra faculdade, à beira de outro riacho. Segurei a saia acima dos joelhos e não vi o tempo passar. Os pés sabiam bem o caminho a seguir: sempre à frente e depois à direita na bifurcação. Lembrei de uma canção de ninar que minha mãe cantava quando eu era pequena. “Olha o céu, olha o céu. O lindo azul do mar, o lindo azul do mar. É o poder de Deus, é o poder de Deus. Em tudo há perfeição, em tudo há perfeição. A natureza toda diz que em meu Deus posso confiar. La la la la... A natureza toda diz que em meu Deus posso confiar.” Em qualquer lugar do mundo, debaixo de qualquer céu, basta que o dia seja azul para me lembrar dessa canção tão simples e tão verdadeira.&lt;/span&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);font-family:lucida grande;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjFfo_dDFLI/AAAAAAAAACU/vCMde3Kmc0c/s1600-h/arvore.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjFfo_dDFLI/AAAAAAAAACU/vCMde3Kmc0c/s320/arvore.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057929014346454194" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O parque estava quase deserto. Eu ainda andava a frente do grupo com a saia&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjPrsPdDFZI/AAAAAAAAAEY/GJ1gmc3ZQJU/s1600-h/arvore.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjPrsPdDFZI/AAAAAAAAAEY/GJ1gmc3ZQJU/s320/arvore.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5058645951762339218" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt; azul segura entre as mãos suadas. “Deb, aonde vai dar essa estradinha?,” Shary queria saber. “Eu não sei,” respondi com cara de quem mente. “Come on, Deb,” ela insistiu, “onde é que acaba a estrada?” Minha resposta foi outra pergunta. “Quem ganha, Shary?”; “Quem ganha o quê?” ela perguntou de volta. “A corrida!” respondi com ar matreiro. “Corrida?” Shary tentou perguntar, mas dessa vez eu já estava longe.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A saia presa e as pernas livres. Roya entendeu a brincadeira e correu junto comigo deixando Shary pra trás em meio a gritos alegres e chamadas em uma língua que ainda não entendo.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153); font-family: lucida grande;"&gt;&lt;span  lang="PT-BR" style="font-family:georgia;"&gt;No fim da estrada, eu sabia, há um jardim cercado e uma estufa que está sempre fechada. Uma família passando com crianças e um casal de idosos sorriu ao nos ver estiradas na grama. Nós sorrimos de volta ao ver as mãozinhas sujas de lama e os rostinhos espertos dos pecorruchos. Recuperamos o fôlego e entramos no jardim dentro do jardim. Eu queria poder te contar algo mágico sobre o lugar, mas a verdade é que quase não havia flores. Afinal a primavera está apenas começando. A única mágica no jardim era a que fizera três moças caminharem juntas num dia de sol. O que havia de especial ali eram três jovens felizes.&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjPrPfdDFXI/AAAAAAAAAEI/5-o61Tnxz9I/s1600-h/3.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjPrPfdDFXI/AAAAAAAAAEI/5-o61Tnxz9I/s320/3.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5058645457841100146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjFf9fdDFMI/AAAAAAAAACc/wma2rVFlZ5s/s1600-h/3.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjFf9fdDFMI/AAAAAAAAACc/wma2rVFlZ5s/s400/3.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5057929366533772482" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" face="lucida grande" style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Voltamos pra casa no fim da tarde porque eu precisava lavar pratos e Shary tinha dever de casa. Domingo foi parecido com Sábado, mas os amigos foram outros. Shary e eu fomos almoçar na casa da Laura e do Steve. Lasanha de espinafre, milho cozido, bolo de chocolate... Estranho é que o mais gostoso disso tudo foi sentar no sofá perto da janela e falar da vida. Gostoso foi olhar pro rosto tão carinhoso da Laura, pra cada ruga, cada cabelo branco, e querer bem a cada detalhe. Melhor que isso só mesmo o abraço de despedida e o Steve acenando da janela enquanto Laura nos dá uma carona de volta pra casa.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" face="lucida grande" style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjPrePdDFYI/AAAAAAAAAEQ/GKDpW9N-UjM/s1600-h/at+xio.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjPrePdDFYI/AAAAAAAAAEQ/GKDpW9N-UjM/s200/at+xio.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5058645711244170626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span  lang="PT-BR" style="font-family:georgia;"&gt;Voltar pra casa. Jantar com Ilda. &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Subir pro quarto da Aamna por nada. Passar uma hora lá em cima fazendo planos fabulosos pra futuros distantes e então sentir a brisa morna soprando pela janela. Descer as escadas sem planos, sem compromissos, e sentar num banco do lado de fora de casa tomando sorvete às nove da noite com amigas de todos os dias. Voltar pra sala de estar às onze horas e encontrar morangos cobertos de chocolate esperando quem chegasse primeiro. Tudo tão azul, mesmo sendo tarde. A brisa da tarde virando viração da noite. Eu sentada perto da janela, sempre perto de uma janela, pra curtir o fresquinho. Xio viu quando eu fechei os olhos pra sentir o vento. “O bom tempo muda tudo, Deborah,” ela me disse. Mas o que ela queria dizer é que o bom tempo me muda toda, me deixa mais solta, mais mole, mais alegre. O bom tempo me veste de azul da cabeça aos pés.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Tomara que o tempo esteja bom quando a gente se encontrar! Mas, se não estiver, não tem problema. Desconfio que o que me muda tanto não é bem o sol. Minha alegria vem de mais alto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" face="georgia" style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Te amo muito, Amiga!&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" face="georgia" style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; line-height: 150%; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Deborah&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-8906211569485925247?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/8906211569485925247/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=8906211569485925247' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/8906211569485925247'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/8906211569485925247'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2007/04/luzia-o-sol-de-sexta-feira-me-pegou-de_26.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/RjPr4PdDFaI/AAAAAAAAAEg/DKlWJbbnbRE/s72-c/pedra.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-8897806516815979349</id><published>2007-04-17T23:45:00.000-03:00</published><updated>2008-09-22T19:36:18.645-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Para quem foi o primeiro a me fazer querer dançar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Pai,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Não tenho sobre o que escrever hoje. Sobre saudade? Essa se insinua em tudo que faço, não precisa de destaque. Talvez amizade? Mas essa tem lugar de honra em todos os posts já escritos. Talvez eu deva apenas escrever, sem procurar um porquê. Mas redação que se preze pede um tema e, sem o fio condutor, a história perde sentido... Ahá! Música é realmente uma fonte de inspiração infalível. Estou ouvindo um tango e é sobre isso que escreverei. Afinal foi você quem me fez, primeiro, ter vontade de aprender ao menos uma dança de salão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Dividi meu primeiro semestre entre aulas de Antropologia, Inglês, Economia, Espanhol e Aeróbica. Descobri bem cedo que meu corpo não seria o mesmo por muito tempo se eu mantivesse minha rotina de bicho preguiça. Desse jeito não há quem viva 100 anos, nem mesmo os 95 que eu quero. As três horas semanais de ginástica não conseguiram apagar os anos de vida sedentária, mas me protegeram dos quilos extras que a comida daqui acabaria me dando. O resultado foi tão bom que eu resolvi, para o segundo semestre, reservar espaço de honra para ao menos uma atividade física. A vencedora da vez foi tango.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Tango não é ginástica, eu sei! Mas três horas semanais rodopiando pelo salão e se concentrando em manter braços e pés nos lugares certos é um exercício e tanto. Tenho aulas todas as sextas-feiras de 10 às 13 horas. O professor morou por dez anos na Argentina, mais alguns anos em Cuba e outros tantos na França. Tem um sotaque que eu não sei definir e de vez em quando desanda a falar comigo em espanhol. É um bom professor - em menos de seis meses ele já conseguiu que eu não pise nos pés do meu par. Os passos básicos, que ele chama de “vocabulário regular do tango,” já se tornaram familiares então ele anunciou na aula passada que a partir de agora nosso foco será o “vocabulário irregular.”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Cheguei cedo ao salão. Descalcei os sapatos para não arranhar o chão encerado e pus meu All Star azul que foi adaptado para o piso delicado. Espreguicei-me devagar – as costas arqueadas, o pescoço estalando depois de uma semana cansativa - para acordar cada vértebra. Os braços apontaram para o teto enquanto eu me equilibrava na ponta dos pés. Sempre começo assim, folgando os músculos antes de lhes pedir que se ajustem a pose de dança.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O restante da turma também se alongava, cada qual a sua maneira, e o professor colocou a música de fundo que nos chama a formar um círculo ao seu redor. “Hoje,” ele começou, “não quero de vocês nenhum passo novo.” Dessa vez foi minha sobrancelha que arqueou em suspeita. Sempre que Daniel começa a aula pedindo algo fácil é sinal de que o que era simples vai se transformar em física quântica. Dei um passo à frente para prestar mais atenção e uma música nova começou a tocar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;É uma canção em espanhol que começa devagar e suave e depois ganha a dramaticidade típica do tango. É quase impossível manter-se imóvel ao som da música. O professor dançou sozinho, combinando as voltas, as pausas e o restante dos passos perfeitamente para que se encaixassem à lânguida melodia. “Hoje eu quero que vocês se concentrem na música e não na dança. Cada passo deve acompanhar a melodia: forte, apaixonada, vibrante, delicada.” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Eu dei um passo pra trás, quase sem perceber, e o restante da turma também. Daniel riu da reação da turma e mudou a música antes de começarmos o exercício. Sultana é o nome desse tango e é o meu favorito. Vera foi a primeira a me oferecer a mão e eu aceitei o convite dessa minha amiga baixinha. Como 95% da turma é composta de mulheres nós nos revezamos nos papéis: metade da dança fazemos o papel do cavalheiro e na outra metade o da dama. Vera concordou em ser cavalheiro primeiro e eu me concentrei na música. Deixei o pé desenhar um círculo imaginário ao som dos primeiros acordes. Devagar. O próximo passo foi Vera quem decidiu, e eu segui feliz ao perceber que as regras da dança já não são indecifráveis.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Daniel andava pelo salão corrigindo detalhes: “O olhar, mantenha o olhar! Você não vai passar o tempo todo admirando os belos sapatos de sua dama! Os braços! Seu par não é um joystick, você não precisa torcer o braço dela para pedir um &lt;i&gt;ocho&lt;/i&gt;!” Eu corei ao ouvir as críticas feitas ao par de vizinhas e levantei os olhos antes que Daniel também me perguntasse o que havia de tão interessante nos pés da Vera. Isso de encarar meu par ainda é complicado, eu acabo me preocupando mais em descobrir qual será o próximo movimento dela e o resultado é que eu me embolo toda e erro o passo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Fechei os olhos para escapar dessa mania. Assim consigo responder ao comando do líder quase inconscientemente e o resultado é mais suave. Com minha mão apoiada em seu ombro e o braço dela segurando minha cintura eu senti o pescoço de Vera se virar para a direita. Os pés responderam imediatamente, como Daniel ensinou, e eu girei ao redor dela até parar do outro lado e recomeçar os &lt;i&gt;ochos&lt;/i&gt;. Abri os olhos para comemorar o feito e a pausa, que eu tanto gosto nessa música, se encaixou perfeitamente. Ajeitamos a pose dramática e fizemos cara séria por um segundo antes de explodir em gargalhadas. “A gente tem que trabalhar mais essa parte da pose,” eu disse brincando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Trocamos de papel e agora era eu que decidia os passos enquanto Vera se encarregava de “enfeitar” a dança com &lt;i&gt;boleios&lt;/i&gt;, e outros afins de nome espanhol. Daniel elogiou nossa dupla, corrigiu os braços e pediu mais seriedade na hora de encarar a parceira. A música terminou e ele chamou o intervalo de dez minutos para quem precisava ir ao banheiro ou beber água. A música continuou tocando e eu cutuquei o ombro do Greg, o assistente. “Você me daria essa honra?” eu perguntei em tom de brincadeira. Ele se curvou numa mesura exagerada e me ofereceu a mão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;A melodia que dominava agora era mais rápida. Greg me fez rodopiar várias vezes até que eu o lembrei de que era, afinal, uma iniciante. “Don’t let me,” foi o que ele disse. “Não deixe.” Ele me disse que se a velocidade era demais eu podia encontrar meu próprio tempo dentro da música e forçar meu parceiro a diminuir o passo. O braço nas minhas costas me pedia &lt;i&gt;ochos&lt;/i&gt;, mas a batida da música os faria rápidos demais. Obedeci, mas a cada passo adicionava o leve arrastar dos pés que me dá mais tempo para planejar o próximo movimento. Greg balançou a cabeça em tom de aprovação e virou o corpo. Segui o volteio, mas não corri para acompanhar os passos largos, o rodopio se transformou em passos lentos e eu sorri vitoriosa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;O restante da aula transcorreu sem maiores novidades. Daniel insistiu em que eu mantivesse o corpo ereto e dividisse melhor meu tempo entre o papel de dama e cavalheiro. Eu fiz um muxoxo desanimado. “Ser cavalheiro pra quê? Numa festa de verdade eu não vou nunca precisar ser o cavalheiro!” Ele insistiu, “Se você entender bem o papel do líder, vai conseguir seguir melhor. Sem arrastar o cavalheiro e nem ser arrastada por ele.” Eu fiz minha melhor pose de cavalheiro. Empinei os ombros e deixei que Ana (eu já havia trocado de par) fosse a dama da vez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Dancei outra vez com Greg, e ainda com Jonathan e Deva (os instrutores assistentes). Ao fim da aula meus pés estavam cansados mas felizes, como eu. Calcei meus tênis a prova de chuva e voltei pra casa com a cabeça em cima dos ombros e os pés nas nuvens. Já me conformei com o fato de ser meio doida, então nem liguei de enlaçar minha própria cintura no corredor e ensaiar alguns dos passos que mais gosto. No quarto foi a vez de meu ursinho Richard dançar. Pena que ele é de pelúcia e tenha pernas curtas demais para ser um bom dançarino.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Semestre que vem eu vou me inscrever na aula intermediária. Daniel já avisou que não vai ser moleza, mas o que é bom sempre exige esforço e tango não foge à regra. Não há testes nessa aula, mas o professor avisou que haverá uma &lt;i&gt;milonga&lt;/i&gt; no clube onde ele dá aulas. Dessa vez não será preciso posar de cavalheiro. Ele se encarregará de garantir a presença de dançarinos suficientes. Os jeans ficarão em casa e em seu lugar sairão as saias. Trocaremos as sapatilhas e All Starts conversíveis por saltos altos. Apenas uma coisa eu duvido que consiga mudar: impossível não rir naquela hora em que a música pára, o abraço se estreita e o olhar cruza – não caio do salto, eu caio é no riso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Se quieres vivir hasta los cien años, papa, recomiendo que empieces a bailar el tango. No se trata solamente de un baile, es una arte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES"&gt;Te amo más,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="ES"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;&lt;span lang="ES"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Deborah&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; line-height: 200%;"&gt;&lt;span lang="ES"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-8897806516815979349?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/8897806516815979349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=8897806516815979349' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/8897806516815979349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/8897806516815979349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2007/04/para-quem-foi-o-primeiro-me-fazer.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-3971400064925020114</id><published>2007-04-06T19:09:00.000-03:00</published><updated>2007-04-07T17:03:04.537-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Tine,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Doente. Levantei da cama com a cabeça pesada. Os olhos embaçados não encontraram o chinelo cor de rosa. Tropecei e, admito, praguejei baixinho com a mão na testa suada. Febre? Não, não podia ser. Fechei os olhos pra fugir da tonteira e voltei a sentar na cama. A noite passada... Tudo estava tão bom. De onde veio a febre? Eu lembro de ter tossido um pouco e de me sentir cansada, mas isso, eu pensei, era culpa do sorvete e das noites intensas de trabalho. Engano meu. Era gripe, resfriado, virose ou coisa que o valha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Na noite passada eu me arrumara para sair com as amigas latinas. Era o aniversário de alguém que eu não conhecia, mas o convite foi feito e já faziam meses desde a última vez em que eu saíra pra dançar a salsa com minhas amigas. Concordei que uma noite sem dever de casa era tudo o que eu precisava e me fui. Da festa não reclamo. Estava quase vazia, mas o que parecia chato acabou virando vantagem. Os rostos eram todos meus conhecidos. Colegas que eu não via há tempos acenavam do outro lado do salão e pulavam juntas no ritmo da música. Sim, eu me diverti. Não houve vírus que segurasse meus pés. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Voltando pra casa abri o casaco como de costume. O suor gelou em cima da pele e a saia molenga esvoaçou. Gosto tanto dessa saia. Uma pechincha que encontrei em uma loja careira de Boston e já me rendeu boas risadas. Eu te contei, não contei? Do estranho que saltou do carro pra pedir meu telefone? Exatamente, eu havia vestido a saia pela primeira vez. O telefone eu não dei, mas cedi um sorriso em agradecimento pelo cumprimento. Dessa vez nenhum estranho me pediu coisa nenhuma, voltei pra casa pra me esconder no quarto até a manhã seguinte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Acordei adoentada. Garganta seca, mãos frias, cabeça fraca. Voltei a me esconder embaixo das cobertas sem ânimo para coisa alguma. Queria a minha mãe, mas não liguei pra casa. Ligar pra quê? Você conhece minha Maria, ela ia se preocupar demais com a filhota gripada e eu ia entristecer por sabê-la assim. Prometi a mim mesma que a virose passaria. Orei, tomei um banho, fui a farmácia e tomei os remédios. Descanso? Desde quando eu tenho tempo pra descanso? Passei as noites em claro escrevendo textos pra aula de Economia, pra aula de Historia, pra aula de Politica... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Dois dias depois. Não consegui alcançar o despertador. O braço cansado apertava o peito doído de tanto tossir. Eu acabava de perder a aula de Economia. Suspirei um suspiro longo e quente de quem tem pouca febre e muito trabalho. As pernas não acolheram bem minhas ordens. Me puseram sentada quando eu queria estar de pé. “Deborah,” pensei olhando pros meus pés, “é melhor você cuidar a sério dessa virose.” A pilha de livros não lidos estava encostada à mesa de cabeceira. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;O vento vergava os galhos que batiam na janela e, de repente, resolvi que eu era importante demais. Mais importante do que os livros e as aulas. Sentei-me ao computador e escrevi emails. Avisei meus professores: “Estou doente demais para estudar, ir às aulas, escrever redações, ler livros, ou assistir palestras. Dei-me dois dias de folga. Lamento o inconveniente de faltar as aulas de tão brilhantes professores, mas é preciso cuidar da saúde.” &lt;/span&gt;Eles responderam com notas de “Get well soon”, “Take your time”, “Drink a lot of fluids” e afins. &lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Eu me estiquei - as pernas embaixo do lençol - e dormi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Acordei às três da tarde e resolvi caminhar até a biblioteca pra ler um pouco. O quarto já me parecia claustrofóbico demais, pequeno demais. Encontrei um sofá confortável, numa esquina silenciosa da biblioteca, e pus-me a escarafunchar meus miolos. Desenvolvimento o quê?! Índice what?! As palavras marchavam em círculos pra dentro dos meus olhos e eu entonteci. Acordei duas horas depois esparramada no sofá e com gosto de livro na boca. Eca. Voltei pra casa e tirei uma soneca mais confortável antes de ir lavar pratos. A essa altura você tem razão pra se perguntar quantas linhas mais eu vou gastar contando a história das minhas sonolências virais. Eu não sei bem por que, mas foi isso que me ocupou a semana toda e eu gosto de usar muitas palavras pra contar coisas poucas. Prometo não fazer desse um blog hipocondríaco.&lt;o:p style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Acordei hoje, 6ª feira, com ares novos. Desci as escadas cantando e saudei minha chefe querida com um “Good Morning” de alegrar até carpideira. Uma maçã me serviu de café da manhã. Uma boa espreguiçada ajustou meus ossos embaixo da pele amarelada e eu estava feito eu mesma, só que saudável. Efeito dos dois dias de feriado que me dei? Provavelmente. E os dois dias se esticaram pra três, porque hoje também não fui à aula nenhuma. Mas, além do descanso, eu adicionei uma boa dose de oração à poção curadora. Foi esse o elemento X, eu sei. Não há gripe que não desapareça. Ouvi um sussurro antes de dormir: Amanhã você acorda bem. Murmurei baixinho: A tosse carregada discorda. O sussurro venceu – acordei sem nenhum sinal da tosse.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Hoje saio pra dançar outra vez. E você vai me dizer pra eu não abusar da benção. Mas a dança é parte do projeto anual das alunas internacionais e eu vou dançar com a equipe africana. Não posso dizer não. Me comprometi. Compromisso é coisa séria, Tine, uma mulher de fibra precisa ter palavra, não precisa? Vai ter muito batuque e requebro, mas prometo não sacudir demais minha saúde cansada. O show é amanhã. De noite. O auditório vai estar cheio e eu vou procurar por você em vão. Nunca dancei em cima de um palco sem você do meu lado, minha amiga de passos coreografados. Vou estar na frente, ao lado de Margaret, mas meu público de sempre não vai estar aqui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);" lang="PT-BR"&gt;Essa saudade chata não me larga nunca... Pior que febre, pior que gripe. Me causa uma febre que nunca queima e o peito arde de vontade de um abraço. Amanhã eu danço com saudade escondida embaixo dos panos coloridos. Vou bater o pé junto com o tambor até o ritmo se igualar ao do meu coração e aí vou fechar os olhos e escutar a única música que me embala de noite. Tu-tum, tu-tum, tu-tum. De olhos fechados eu posso imaginar quem eu quiser e amanhã sei bem quem vou querer. Você vai estar bem perto. Perto estarão outros amigos, amigas, família... Caso você escute um batuque vindo de lugar algum, feche os olhos e curta o embalo. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;É&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; só o meu coração batendo junto com o seu.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;“Everything here/ close to me/ is just the way/ I want it to be/ it’s all about faith/ it’s all about trust”. Me avise quando chegar nossa música.&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Miss you so much,&lt;/p&gt;  &lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;font-size:12;"  &gt;&lt;span style=""&gt;         &lt;/span&gt;Deborah&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-3971400064925020114?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/3971400064925020114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=3971400064925020114' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/3971400064925020114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/3971400064925020114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2007/04/tine-doente.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-2819994335990664845</id><published>2007-03-23T17:17:00.000-03:00</published><updated>2007-03-26T00:02:33.070-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family:georgia;color:#000099;"&gt;Buon giorno, Agnesita!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus dias sem aula acordam preguiçosos e com gosto de bala de menta. Acordam bem devagarinho, meio que sem vontade de acordar, mas acabam cedendo à insistência do sol que brilha através da janela. Estico os bracos pra cobrir o rosto e dou de cara com a vida sentada na cabeceira. Leva um livro na algibeira e puxa de leve meus cabelos dizendo: Levanta guria! Levanta e vai esticar as pernas antes que chegue a noite. Eu empurro as cobertas e esfrego os olhos pra entender o que o relógio me diz. Os planos para o dia se organizam enquanto eu desperto. Atrasada!! É o que me diz o relógio. Me diz também que eu tenho trinta minutos até o próximo ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dou uma piscadela para a vida sentada na cabeceira e corro desvairada para me vestir, me lavar, preparar meu café, telefonar, arrumar a mochila e descer as escadas. São onze horas da manhã e o dia se anuncia glorioso. Está ventando e eu me lembro que esqueci de pentear os cabelos. Puxo o gorro de lã até as sobrancelhas pra esconder os cachos revoltosos. E sigo andando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vida passeadeira vem andando comigo e nós duas esperamos o ônibus que nos leva para o metrô que nos leva para South Station. Você conhece a South Station? É o terminal central de ônibus, trem, metrô e bonde. E por que eu fui pra lá as 12 horas da tarde? Pra encontrar a Rachel. Encontrar pra quê? Pra ela me levar em um tour informal pela cidade. Da South Station nós duas pegamos o metrô até Park Station. Não tem palavras que descrevam a cena. Até a vida passeadeira que me seguia parou por um minuto e anotou algo no livrinho. Certamente uma nota de espanto e alegria, porque foi espanto e alegria o que eu senti ao subir as escadas e ver um sol majestoso brilhando no céu de primavera. O vento era muito, mas não demais. A paisagem era múltipla de modernidade e tradição. Boston é mesmo uma cidade encantadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rachel subia e descia as ruas me apontando prédios, ruas, monumentos e lojas. Ela contava histórias e explicava detalhes do passado. Eu comparava tudo a minha cidade natal e encontrava paralelos entre lá e aqui. O passeio nos levou até North End, o distrito italiano. Eu e Rachel conversamos muito, rimos muito também, e comemos muito bem. No restaurante não tinha gelatto de flocos, nem de passas ao rum, mas você teria aprovado a escolha de sabores. Gelatto de manga pra mim e de pistache pra Rachel. Trazidos em uma bandeja por um garçom que me dá vontade de ser italiana só pra dizer “Ma che bello!” com o sotaque correto. Panettone, tiramisù, canole... Tudo isso eu carreguei na sacola. Você deve conhecer os nomes, mas o gosto... Ah, o gosto! North End não apenas abriga italianos, como também o bairro inteiro assume a nacionalidade e se expressa pela maneira das ruas e pelo desenho das casas. Rachel e eu exploramos ruas estreitas, igrejinhas tranquilas, docerias irresistíveis e até um cemitério pequenino com lápides datando de 1786.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vento soprava sem parar, e eu desisti de esconder os cabelos. Deixei que sacudissem à vontade. O dia estava perfeito pra liberdade. Nada de casaco, nada de penduricalhos desnecessários. Joguei pique, atravessando as ruas pacatas e correndo ladeira acima. Rachel perdeu o jogo e colocou a culpa nos dois anos de diferença entre nossas datas de nascimento. Nós duas resolvemos passar por um corredor atrás da Igreja de São Leonardo para cortar caminho até uma outra doceria. O corredor parecia tão inocente e o dia estava tão bonito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu passei sem medo e a recompensa foi descobrir que o corredor estreito se abre em um pátio com uma fonte. Duas estátuas guardam o lugar: a Virgem de Fátima e Francisco de Assis. Cada estátua está posta em um jardim fechado por um portão de ferro e é preciso subir um lance de escadas para chegar nos jardins. Francisco estava no jardim à esquerda e eu parei do lado de fora do portão para gravar os detalhes na memória. Eu devo ter feito cara de moleca aprontadeira, porque essa é justamente a cara que a Rachel não gosta. Ela não é do tipo que abre portões para entrar em jardins de igrejinhas. Ela também não aposta corrida na rua, e não pára para ouvir um músico de esquina tocar gaita. O que ela faz? Ela aposta corrida na beira do rio Charles, ela sobe o escorregador ao contrário no parquinho, ela aposta comigo quem consegue balançar mais alto... Ela é uma amiga perfeita pra se ter em um dia passeadeiro em Boston.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu abri o portão e fui até onde estava o Francisco de pedra. Lembrei da minha mãe, não sei por que razão. Olhei pro alto e vi um lugar lindo, Agnesita! Uma varanda! Com duas cadeiras de ferro e uma mesinha. Feche os olhos e imagine o lugar perfeito para se tomar um café da manhã a dois. Não um café qualquer, mas um com direito a croissant, capuccino, suco de laranja, geléia de morango, torradas e ovos. O figurino tem que combinar, então continue de olhos fechados e imagine um chambre lilás e um despenteado cuidadoso. Eu tirei uma foto. Um dia te mostro e você vai saber se imaginou certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A essa altura do passeio os meus pés estavam cansados. Acho que os da Rachel também. Fechei o portão atrás de mim e segui o passeio. O cansaço nos levou, literalmente, ladeira abaixo. E eu acho que ladeira acima não teria sido tão divertido. Por quê? Porque foi ladeira abaixo que nós encontramos o Charles. Ele me deixa meio tonta, e me assusta quase sempre, mas é lindo e tranquilo. É uma das razões de eu amar essa cidade. Rachel e eu fomos caminhando enquanto ele corria direto pro mar. Subimos no parapeito do cais pra ver Charles mais de perto. Os barcos ancorados na linha do horizonte, as gaivotas, a brisa que soprava do mar... O rio Charles às quatro da tarde é mesmo meu cartão postal favorito. Tiramos fotos, apostamos corrida e encontramos um parquinho. Se a gente balançar bem alto, dá a impressão de que vamos cair no Charles e afundar na água esverdeada. Ah, Agnesita! Desidero che tu fossi qui con me!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do descanso no parquinho nós voltamos à Park Station e pegamos o metrô até Harvard Square. Batemos perna pelas lojas ao redor de Harvard e compramos entradas para assistir Oliver Twist no teatro local. A peça acabou às 9:45 e eu voei de volta para o metrô. Nem o gorro segurava mais o cabelo desvairado, nem eu me importava mais. Sentado na plataforma estava um artista de rua. Alfredo Velasquez. Ele tocava seu violão e sua flauta de madeira ao mesmo tempo, e ia cantando músicas que falavam sobre os Andes. Espanhol soa tão bem depois de um dia cansativo. Olhei de viés e vi a vida passeadeira espiando o músico com olhos marejados. O livrinho ganhou mais uma nota. Dessa vez foi uma nota de gratidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O trem me levou até o terminal de ônibus e eu desci no ponto certo. Estava escuro, mas não estava frio. Acho que eram 14 graus. Estava tudo deserto também. Rachel e eu havíamos nos despedido na saída do teatro porque moramos em partes diferentes da cidade. Eu fui caminhando pelo meio da rua com os braços abertos para sentir o vento. A vida passeadeira piscou pra mim e eu sorri. Comecei a rir, a gargalhar, a dançar na rua feito louca. O dia foi glorioso, Agnesita, e a noite estava magnífica. Rodopiei, cantei e quando dei por mim estava em casa. Tasheka abriu a porta e pediu silêncio, estavam todos dormindo. Eu subi as escadas bem quietinha e contei pra ela o resumo do meu dia. Foi um dia bom. Muito bom. Boa companhia, boa comida, bom passeio. Parecido com aquele dia que passamos no Centro. Tomei um banho e apaguei as luzes. A vida passeadeira sentou-se de novo à cabeceira e sussurrou palavras mansas no meu ouvido. Sussurros de primavera chegando depois do inverno e trazendo sonhos bons.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Godere il giorno, Agnesita. Godere la vita! È la molla ed il sole sta lucidando. Li manco così tanto, cara amica!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La vostra volpe,&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;color:#000099;"&gt;Deborah&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-2819994335990664845?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/2819994335990664845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=2819994335990664845' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/2819994335990664845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/2819994335990664845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2007/03/buon-giorno-agnesita-meus-dias-sem-aula.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-8904293984333959372</id><published>2007-03-07T01:58:00.000-03:00</published><updated>2007-05-30T14:02:07.782-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(0,0,153);font-family:georgia;" &gt;Para o meu amigo artista que tem um nome bom,&lt;/span&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p style="COLOR: rgb(0,0,153); FONT-FAMILY: georgia"&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,153)"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A lua estava encantadoramente cheia ontem a noite. Nem mesmo o frio foi suficiente para impedir uns minutos de reflexão. Paramos (Corin, Analise e eu) do lado de fora da picape verde musgo. Eu fui a primeira a apontar pro céu, e Corin, de tão linda que estava a lua, foi quem esqueceu de abrir a porta do carro. Analise nos lembrou de que a noite estava fria demais pra devaneios. Corin me levou de volta pra casa ao som de “Camisa Negra” do colombiano Juanes. O estilo pop latino pode ser demais pro seu gosto, mas, pra quem já teve uma fase pagodeira, pop colombiano é mesmo uma evolução. Eu não tirei foto da lua. Erro meu, admito. Mas um erro que chega a ser útil. Assim o frio congela a memória da lua naquela noite fria; e ela vai ser sempre cheia na minha lembrança.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,153);font-family:georgia;" &gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;A lua anda me perseguindo esse dias. Literalmente. E eu me desforro perseguindo-a literariamente, que é bem mais poético. Não faz nem duas semanas e era a lua crescente que me seguia pela janela. Por árvores e colinas e sombras de noite fria. Eu estava dentro de outro carro. E era a Laura que dirigia, levando Shaharzad, Eri e eu de volta pra faculdade. Shary, afegã, e Eri, japonesa, debatiam filosofia, política e religião. Eu, brasileira, me perdia na janela. Laura esmerou-se tanto em preparar um tal prato indonésio com sobremesa libanesa que quase não sobrou espaço em mim pra pensamentos. Sobrou foi chance pra minha baianidade (que vem de alguém do lado da minha mãe) se espreguiçar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,153)"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;O carro seguia por curvas e retas. E a lua apareceu, saída de algum ponto atrás da oitava colina que fica depois do rancho vermelho. Ela corria à direita do carro com pressa e sem pés. Eu encostei o nariz no vidro gelado pra seguir a lua que seguia o carro. Pensei em várias coisas, mas não me lembro mais que coisas eram essas. Uma pena... Tenho a impressão de que eram coisas dignas de virar livro. O burburinho sobre mesquitas, sinagogas e mosteiros estava embotando a vidraça. Eu sou educada, você sabe, mas não é todo dia que a lua desiste da sua órbita para se dedicar a perseguir um carro. Pedi silêncio, com um jeitinho aluado que funcionou bem. Pararam, Shary e Eri, para assistir o luar comigo. Ah! Se você estivesse lá, tenho certeza de que ia escrever uma musiquinha fenomenal pra deslanchar tua carreira! Você ia voar dos barzinhos direto para o Canecão! A vida seria então bem mais sem graça, porque amigo famoso acaba perdendo parte dessa alegria meio boêmia que é justamente o que culmina em papos com pés e cabeças criativas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,153)"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Papos criativos! Não te contei quem é que veio bater um papo com os estudantes da região! Te dou um real, se você adivinhar! Afinal o tal papeador foi quem deu Real pra tudo que é brasileiro. Pelo menos tecnicmente. Isso! Meu querido amigo de aulas de Economia, FHC veio dar palestra!! Eu cruzo a linha do Equador e acabo onde? Na primeira fila pra escutar o Excelentíssimo Senhor ex-Presidente da República Federativa do Brasil, Fernando Henrique Cardoso. O discurso foi em inglês e o tema era o meio-ambiente. Falou-se sobre Amazônia, poluição, soja, etanol... Depois abriu-se a palestra para perguntas do público. Falou-se então de Chávez, Morales, Lula, Bush, Clinton... Foi um papo bom, eu não nego. E eu tirei foto e peguei autógrafo. Não confunda calculismo com tietagem! A foto pode valer alguma coisa algum dia! Vai que eu acabo famosa! Vai ter jornalista querendo jurar que eu já me metia em política desde cedo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,153)"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Foi o FHC quem causou meu momento de ternura com a lua cheia. A palestra foi em Amherst, que fica depois de Hadley, que fica depois de Easthampton, que fica depois de Northampton, que é onde eu moro. A viagem é de vinte minutos, mas em noite de inverno não se dispensa carona. Corin estacionou de cara pra lua e era uma das caras mais lindas que eu já vi. Daí eu volto pra casa, coloco um CD novo pra tocar, e lá está a lua outra vez! Veio atravessando a janela e a música perfeita tocou na hora certa. Eu sei que prometi um post ao som de MPB, mas Sade mudou meus planos. A culpa não é minha se era ela quem cantava enquanto eu pensava na lua! Tão doce é a canção que eu já a escolhi pra ser a lullaby das minhas sobrinhas. &lt;/span&gt;“Quietly, while you were asleep, the moon and I were talking,” ela começa assim de mansinho. &lt;span lang="PT-BR"&gt;Eu encontrei o CD por acaso em uma caixa que ia para o lixo. Fica-se sem saber por que alguém jogaria fora um CD da Sade, e fico eu com um CD novo e uma lullaby sob medida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,153)"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;Pra ser justa com você eu admito que estou ouvindo Zélia Duncan. “Adoro cortinas que se abrem, adoro o silêncio antes do grito, adoro o infinito de um momento rápido, o instrumento gasto, o ator aflito.” Mas a canção que rima com esse post é mesmo a que eu encontrei ontem a noite. &lt;/span&gt;“I asked that she'd always keep you protected. She promised you her light that you so gracefully carry.” &lt;span lang="PT-BR"&gt;Eu peço que a lua não falte nunca. Seja cheia para os meus amigos artistas, ou nova para minhas sobrinhas pequeninas. Seja ela quieta ou corredora, o fato é que até em minha parede a lua ganhou espaço sem que eu percebesse. Está aqui o poster que não me deixa mentir. Está colado à parede e fui eu mesma quem o colei desprevenida. No papel está pintada uma moça de túnica amarela. Ela usa uma tiara de ouro, bem fininha, por cima do cabelo preto. Ela está sentada, abraçando as pernas com tranquilidade. O rosto moreno está voltado pra cima; ela não tem medo de cair da árvore onde está aninhada. Os galhos se espalham pelo poster e, lá em cima, por entre as folhas, aparece a lua. O que me encanta mais no retrato é que, das duas, a menina &lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;é&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt; a que brilha mais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,153); TEXT-INDENT: 0.5in; FONT-FAMILY: georgia"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Termino o post &lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:city&gt;&lt;st1:place&gt;como&lt;/st1:place&gt;&lt;/st1:city&gt; termina a música. “I will always remember this moment.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,153); TEXT-INDENT: 0.5in; FONT-FAMILY: georgia"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,153)"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Abraço da amiga que sente falta das caronas até a Tijuca,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="COLOR: rgb(0,0,153)"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 0.5in"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="COLOR: rgb(0,0,153);font-family:georgia;" &gt;Deborah&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-8904293984333959372?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/8904293984333959372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=8904293984333959372' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/8904293984333959372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/8904293984333959372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2007/03/para-o-meu-amigo-artista-que-tem-um.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-2211403762521151400</id><published>2007-02-26T00:39:00.000-03:00</published><updated>2008-12-09T21:35:31.365-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span  lang="PT-BR" style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Leila,&lt;/span&gt;&lt;span style="text-transform: uppercase;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Eu não me lembro o &lt;/span&gt;dia. Não me lembro nem o porquê de eu ter ido ao Correio. Pode ter sido uma segunda-feira, ou uma quarta-feira... Pensando bem só pode ter sido um desses dias, porque eu lembro de ter ido pra cozinha trabalhar cantando e de contar pra Launi sobre a Phalenopsis. A cena que eu lembro não tem carimbo de data, pode ter sido em qualquer quarta ou segunda-feira. Pode ter sido a qualquer hora e em qualquer tempo vai ser pra mim uma lembrança boa e clara. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Desci as escadas para checar minha caixa de correio. Apressada. Atrasada. “Minha chefe deve estar batendo o pé e contando os minutos”, eu pensei. Ia descendo e revirando o bolso da mochila em busca da chave. Levanto o rosto para evitar um esbarrão, sorrio para a conhecida que subia a escadaria correndo, vejo Phalenopsis lá embaixo. “E no meio de tanta gente eu encontrei você” seria a trilha sonora perfeita, mas no Campus Center a rádio não toca MPB. Foi coisa de um segundo e logo eu já estava com a chave na mão me dizendo pra deixar Phalenopsis pra lá. Na verdade eu ainda não sabia o nome, mas sacudi a cabeça e fui abrir minha caixa de correio pra encontrar cupons e mais cupons. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Essa mania americana de cupons... Encontrei o que eu queria no fundo da caixa. Um envelope gordinho com etiqueta em chinês e carimbo da Califórnia. Era um DVD. “Dog’s Will”. Nunca ouviu falar? O título original é “O Auto da Compadecida” e eu encontrei uma cópia baratinha nessa loja chinesa lá na Califónia. Sentei no sofá verde limão com o envelope no colo. Phalenopsis estava em cima da mesa. Atrás de mim. “Deborah, não arranje idéia, menina!”, eu me dizia. Mas eu não sou muito boa nisso de me dizer coisas. Guardei o DVD na mochila e fui assim, meio como quem nao quer nada, dar uma olhada mais de perto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Era linda. Você concordaria comigo, eu sei. A mais alta de todas. Esguia, meio de lado em cima da mesa. A únca totalmente branca. Quase totalmente. Tinha olhos amarelos com pintinhas vermelhas, mas isso só se via de perto. Era preguiçosa, como eu, e parecia que se espreguiçava em diração a luz. Toda branca, você consegue imaginar? Toda delicada. Eu inspecionei as outras, mas eram amarelas, roxas ou listradas e se exibiam aos montes. Só a Phalenopsis era da cor exata do inverno. Só ela não tinha concorrente de mesma cor em cima da mesa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Alguém se debruçava em cima pra escolher a mais bonita e eu disfarcei olhando os preços. Pensei comigo mesma que eu devia parar de gastar dinheiro. Pensei que não ia dar certo. E se afinal Phalenopsis morrese de solidão? E se a gente não se entendesse? Puxei algumas notas amassadas do bolso e contei minhas moedinhas. “Nem cinco dólares eu tenho...” O caixa eletrônico estava a dois passos. O cartão estava na carteira. Vontade eu tinha de sobra e pronto. Saquei o dinheiro e apontei minha escolhida para o dono da exibição. “Mantenha a Phalenopsis longe de luz direta. Água uma vez por semana. Nada de frio. Nada de calor.”, minha nova favorita era um primor caprichoso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Ele embrulhou minha Phalenopsis em papel pardo pra proteger do frio lá de fora. Eu já te disse que minha chefe detesta atrasos? Eu carreguei o embrulho com cuidado de quem encontra a Phalenopsis perfeita. Andei tranquila com ela no colo, o papel roçando o rosto. Pensei em bebês fofinhos. Pensei em Madu e em Isabela que você carrega com tanto esmero. Até fui cantando a musiquinha pra ela. “E no meio de tanta gente eu encontrei você. Entre tanta gente chata e sem nenhuma graça, você veio...” Cheguei em casa flutuando em nuvens brancas e coloquei minha Phalenopsis em cima da mesa. Beijei com cuidado os pequenos milagres brancos e fui trabalhar. Minha chefe não estava lá. Eu bem sabia que o dia estava bom demais pra ser interrompido por pontualidades despetaladas. Launi não sabia o que era uma Phalenopsis. “É uma flor, Launi!”, eu expliquei. “Uma orquídea. O tipo mais comum de orquídea”, eu disse.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/ReJXNZKlfAI/AAAAAAAAAB0/mhpvWF5lIv8/s1600-h/collage3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/ReJXNZKlfAI/AAAAAAAAAB0/mhpvWF5lIv8/s400/collage3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5035683220958837762" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Era verdade, mas ser comum não significa ser qualquer. Minha flor é única em meio a outras centenas de flores. Ela fez meu inverno mais branco e meu quarto mais brando. As flores vão cair em poucos dias, mas voltam a nascer em outras semanas. São mesmo milagres brancos. São meus agora, e Phalenopsis ganhou um apelido. Eu a chamo de Phyllie e canto canções de Marisa Monte pra ninar a plantinha que me encantou. Em pouco tempo você vai ter as suas meninas. Seus milagres brandos. Cante um pouco de Marisa Monte pra elas por mim. Logo eu que nunca pensei em ter uma planta. Isso de jardinagem não é, admito, meu maior amor. Mas Phyllie merece o cuidado. Ela me cativou a primeira vista, uma presença branca e alegre no inverno que tantas vezes me adoece de saudades. “Eu podia estar sofrendo, caindo por aí. Mas com você eu fico muito mais feliz, mais esperta...”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Tenho saudades sempre, mas tenho uma flor branca também.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Te amo mais,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Deborah&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" face="georgia" style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-2211403762521151400?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/2211403762521151400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=2211403762521151400' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/2211403762521151400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/2211403762521151400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2007/02/leila-eu-no-me-lembro-o-dia.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/ReJXNZKlfAI/AAAAAAAAAB0/mhpvWF5lIv8/s72-c/collage3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-1902373153654130849</id><published>2007-02-18T02:07:00.000-02:00</published><updated>2007-02-18T02:08:43.812-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="font-family: georgia;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Enquanto eu escrevo vou vendo minhas &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: 12pt; font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);" lang="PT-BR"&gt;mãos&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt; subindo e descendo pelo teclado. Elas estão vermelhas e ardidas. Quase não sinto o nó dos dedos, a não ser quando eles estalam de repente e eu faço uma careta rápida. Acabei de entrar no laboratório do Wright Hall. A visita estava fora dos planos, mas entrei na primeira porta aberta pra fugir da tempestade e acabei parando aqui. Esse prédio vai se tornar meu abrigo oficial contra tempestades de neve. A história dessa vez é comprida, então eu separei em duas partes. As partes viraram duas cartas. Uma para&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt; a menina “flor que aprendeu a voar” e outra para a menina que escapou de uma história de Jane Austen.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Duas pessoas que,  de t&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: georgia;" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;ão diferentes, merecem amor igual. &lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family: georgia;"&gt;Para a menina "flor que aprendeu a voar",&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;A tempestade começou ontem de noite. Eu estava aqui desde cedo pra terminar o dever de casa com minhas amigas. Quando entrei no prédio a cena lá fora era fria, mas esverdeada pela grama do chão. Quando saí à meia-noite a visão já era outra. O chão era só neve e o vento trazia ainda mais lá do alto. Aram estancou&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;na porta, murmurando algo em francês com sotaque senegalês. Ela está aqui a quase quatro anos, mas parece que ainda não se acostumou com o frio. Eu colei o nariz na porta de vidro pra ver melhor minha primeira tempestade de neve e achei que ela era linda. “É isso que eles chamam de tempestade?”, eu perguntei pra ela. “É tão silenciosa”, ela me olhou com um sorriso engraçado. “Você não vai achar a tempestade tão calma quando a gente estiver lá fora, Brasil”, ela falou enquanto apertava mais o cachecol e endireitava o chapéu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Eu abri a porta com as minhas costas enquanto vestia as luvas e o pé afundou na neve até quase a canela. A bota que eu estava usando tinha solado liso e eu perdi o equilíbrio contra o vento forte. Aram me ofereceu o braço e nós atravessamos o quarteirão em direção as nossas casas. A tempestade é silenciosa, mas o vento sopra carregando neve e granizo pra todos os lados. Enrolei o cachecol na altura do meu nariz, pra me proteger das minúsculas agulhas de gelo e fechei o casaco até o queixo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Olhei pro alto, ainda me equilibrando com a ajuda da Aram, e pensei com meu fecho-écler que o povo daqui não sabe bem o que é tempestade. Não se escuta nenhuma trovoada. O vento não tem nenhum telhado de zinco pra sacudir com estrondos. Não há água caindo em torrentes pra lavar os ouvidos com o som da chuva. São flocos e mais flocos dessa substância macia que caem sem parar. O granizo é tão pequeno que se perde no meio da neve e o silêncio só é quebrado, eventualmente, pelo uivo do vento nas calhas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Aram me falava sobre o Senegal. Sobre como o tempo lá é bem melhor. Pra ela o Senegal é o melhor lugar do mundo. Ela queria saber sobre a situação dos muçulmanos no Brasil. Eles são maioria no Senegal. Eu falei pra ela que o Brasil é de maioria cristã, mas misturado com religiões nativas e com outras vindas da África. Ela sacudiu a cabeça concordando e eu garanti que os muçulmanos não são perseguidos. &lt;/span&gt;“Eh, Brasil, one should always be proud of one’s roots”, ela me disse. &lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;“I know, Aram. I’m proud”, eu respondi antes de quase escorregar de novo e precisar, literalmente, me pendurar no braço dela pra não cair. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Nenhum carro atravessava a rua principal. A neve era tanta que nem se via a rua. Calçada e asfalto eram a mesma superfície branca. Atravessamos devagar, pra marcar bem as pegadas e ela ria sacudindo a cabeça: “Eh, Brasil, you’re a very funny person”. “Ah! I’m from a very funny people, Aram”, eu respondi ainda olhando para as pegadas que atravessavam a rua. Estiquei os dedos em direção ao montão de neve que se acumulara na entrada da minha casa e apertei a neve entre os dedos. Aram seguiu caminho em direção à casa amarela onde ela mora e eu subi as escadas pra chegar no meu quarto.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Chelsea estava acordada quando eu cheguei. “The snow storm has finnaly come!” eu anunciei enquanto deixava as botas molhadas do lado de fora do quarto. “I told you it wouldn’t come before 11 pm”, ela respondeu. Falamos sobre o tempo e sobre amenidades e sobre como eu sinto falta das tempestades brasileiras de verão. Sabe do que eu lembrei, amiga alada? Lembrei do 438 lotado no Rio Comprido em dia de chuva. Lembrei do engarrafamento absurdo na saída do túnel e de como aquela área enche. Lembrei também da porta do colégio. Lembra de como a água subia bem na frente do portão principal? E também no ponto de ônibus em frente à igreja. Lembrei da gente correndo pra pegar o ônibus do metrô. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Sei que está tudo misturado, mas memória a gente não arruma que nem gavetas. Bem, considerando como andam as minhas gavetas até que a comparação faria sentido... Mas o ponto é que memória não se arruma, memória acontece por acaso. Basta uma palavra pra desencadear minha tempestade particular que tem cheiro de grama pisada depois da chuva, barulho de engarrafamento perto da Praça da Bandeira, e cara de prefeito tentando explicar o porquê dos desabamentos. Aproveite as águas de março por mim esse ano. Daqui eu aproveito as pegadas na neve.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Beijos de mim que também sou fã de Hans Christian Andersen,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;"&gt;Deborah&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153); font-family: georgia;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-1902373153654130849?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/1902373153654130849/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=1902373153654130849' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/1902373153654130849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/1902373153654130849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2007/02/enquanto-eu-escrevo-vou-vendo-minhas.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-839709622818043262</id><published>2007-02-18T02:06:00.001-02:00</published><updated>2007-02-18T02:06:45.281-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Para a menina que fugiu de Jane Austen,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;A noite de tempestade foi como as outras noites. Eu dormi tarde e levantei cedo para trabalhar. Desci as escadas em direção ao refeitório vestindo meu pijama grafite. Eu já te contei que as escadas tem visão semi panorâmica? Pois elas têm e eu vi que a tempestade ainda não tinha passado. A neve continuava a cair e o vento vinha com força redobrada dobrando os galhos pelados das árvores. Eu sentei no refeitório lendo um livro sobre o Oriente Médio e dando bom-dia as alunas sonolentas que passavam o cartão pela maquininha na minha mesa antes de entrar no salão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Minha primeira aula do dia foi as onze horas e a tempestade ainda caía sem sinais de cansaço. Atravessei o campus olhando para o chão pra não cair. Atravessei a aula olhando para o professor para ele não pensar que eu estava pensando em outras coisas. Eu estava pensando em outras coisas. Especificamente nos desenhos que o gelo deixa na janela. Eu e minhas desimportâncias indispensáveis. Na saída da aula saí de novo com minha amiga senegalesa. Fomos almoçar crepe com recheio de Nutela. Eu sei que isso não é almoço, mas é bom e eu faria de novo se o dia se repetisse. De lá voltei pra casa, lavei os pratos do almoço e subi cansada para o meu quarto por volta as duas da tarde. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Eu estou enolando pra contar o que me importou mais no dia. Deu pra perceber? É que não era um dia normal. Além de ser dia de tempestade era também Valentine’s Day. Os cartões que eu fiz para os meus amigos estavam empilhados na cama esperando que eu fosse até o correio. E eu estava largada no tapete esperando que o correio viesse até mim com uma xícara de chocolate quente. Eu fiz cinco cartões ao todo. Uns foram mais fáceis do que outros. Se eu pudesse eu ia junto com os envelopes só pra ver a cara dos recipientes ao abrir o envelope branco e encontrar um coração vermelho e adesivos cor de rosa. Aqui estou eu falando de ir com os cartões, mas nesse ponto da história eu estava era propensa a não ir pra lugar nenhum até a neve parar de cair.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Chelsea me animou a levantar com a sugestão de que talvez eu acabasse encontrando um Valentine’s card na minha caixa postal. Eu fiz que não acreditei, mas no fundo acreditei sim. Aquela história de olhar por cima do ombro e pegar o momento exato. Olhar por cima do ombro dessa vez requeria casaco e coragem pra sair de novo. Dizem que esse é o dia para espalhar amor então eu espalhei cartões fofinhos que já é um bom começo. Postei os cinco cartões para os meus cinco amigos queridos, mais uns cartões postais para outro amigo querido que mora mais longe. Sim, eu recebi cartões de Dia de São Valentim. Minha amiga Launi me mandou um. Minha amiga Dana me mandou outro. Meu amigo Júlio me mandou uma caixa de bonbons virtuais.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Encontrei com a Ilda na entrada do prédio e nós duas concordamos que a tempestade merecia fotos. Deslizamos de volta pra casa pra buscar a máquina e partimos em direção ao Laguinho Paraíso. A beira do lago é bastante íngreme e algumas meninas aproveitaram para usar o declive como rampa. A descida é feita em cima de uma prancha de plástico e eu não sosseguei até conseguir uma prancha emprestada e descer morro abaixo. A idéia até que foi boa, mas a luva que eu estava usando não era. Ficou molhada na primeira descida e daí os dedos começam a queimar de frio. Eu sacudia as mãos e olhava assustada para o avermelhado dos dedos. Tentei esquentá-las nos bolsos, mas não funcionou. O jeito foi pagar mico e esconder as mãos dentro das calças. A cena era mesmo hilária. Eu andando igual a uma pata por causa da neve e com as mãos dentro das calças pra não congelar os dedos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Ilda se ofereceu para voltar pra casa, mas eu insisti em continuar o passeio. Demos uma volta no lago e chegamos nos jardins. As flores já sumiram faz tempo. O inverno cobriu tudo com cerca de trinta centímetros de neve. Atravessei correndo, as mãos soltas, os dedos vermelhos. Corri por cima dos canteiros soterrados até chegar onde queria. Era uma árvora bem velha, com galhos grossos que terminam em dedos finos que formam uma espécie de cortina tristonha. A árvore parecia chorar. Tão linda a árvore ali. Sozinha. Nua. Chorosa. Eu simpatizei com ela. Fiquei ali, sem lembrar dos meus dedos. Segurando os galhos com um sorriso meio hipnotizado. Ilda batia os pés pra chamar minha atenção. Eu pedi uma foto antes de ir embora.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style=""&gt;            &lt;/span&gt;Os dedos se vingaram do meu descuido. Bastou que eu largasse os galhos e logo lembrei que a pele não é igual casca de árvore. Pele congela quando a temperatura cai muito. Casca de árvore eu não sei se congela. Ilda apressou o passo pra chegar em casa mais rápido, mas os meus dedos estavam me matando! “Ilda! Eu acho que não aguento andar até em casa. Olha só pras minhas mãos!”, eu disse enquanto mostrava a vermelhidão pra ela. Ilda é uma boa grega, entenda-se aqui que ela é exagerada ao extremo e também super procupada com seus amigos. “Tudo bem, a gente entra na primeira porta que aparecer”, ela respondeu sem alterar o passo. No meio da neve a gente viu alguém abrir uma porta cinzenta. Corremos pra lá antes que a porta fechasse. Eu não sabia bem que prédio era aquele. Não conheço bem a entrada de serviço. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Ilda subiu as escadas e nós demos de cara com um auditório vazio. “Estamos no prédio de poesia!”, Ilda me disse. “Wright Hall?”, eu perguntei. Ri ao pensar na coincidência de voltar ao prédio onde a tempestade começara. Fomos até o laboratório no andar subterrâneo e eu sentei aqui para escrever essas cartas. Meus dedos ainda estão vermelhos e ardidos. Eu vou escrevendo e esfregando as mãos pra acordar a pele. Os estalos acontecem de vez em quando, como se as juntas acordassem aos poucos e reclamassem da minha falta de juízo. Da próxima vez eu uso uma luva melhor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Preciso ir trabalhar. Hoje o jantar será à luz de velas para celebrar o Dia de São Valentim e eu estarei na cozinha lavando os pratos. Nada de ressentimentos, na cozinha a gente pode raspar a panela com restinho de cobertura de chocolate. Se Austen estivesse aqui eu perguntaria onde anda o meu Darcy. Ele traria enfim as 50 mil libras por ano e me salvaria das panelas. Eu ia passar o resto dos meus dias me ocupando de desimportâncias e escrevendo longas cartas pra amigas que moram longe. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Saudades de contar com seus comentários tão únicos. Um abraço longo da sua amiga que hoje está romântica,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="font-family: georgia; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;Deborah&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-839709622818043262?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/839709622818043262/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=839709622818043262' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/839709622818043262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/839709622818043262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2007/02/para-menina-que-fugiu-de-jane-austen.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-2210499549650462040</id><published>2007-02-11T17:35:00.000-02:00</published><updated>2008-12-09T21:35:32.512-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Rc97h3pv8rI/AAAAAAAAAAM/y9kE8dSdgR0/s1600-h/todo+mundo+cai.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Rc97h3pv8rI/AAAAAAAAAAM/y9kE8dSdgR0/s400/todo+mundo+cai.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5030375130601091762" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=""&gt;Oi Lila!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Acordei hoje com as costas, os braços e as pernas tão doídas que só mesmo estando no meu lugar pra saber. Tudo por causa das minhas estripulias de ontem. A foto ai em cima te dá uma idéia de como eu comecei o dia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Acordei as 8:30 pra ir tomar café e me preparar pra sair com minhas amigas. Pendurei os patins no pescoço, abri um sorriso pra disfarçar o nervoso, e lá fomos nós caminhando até o Paradise Pond. “Paradise” significa paraíso e “Pond” significa “massa de água menor do que um lago”. Traduções à parte, o que importa é que o Laguinho Paraíso está congelado!! Tão congelado que a gente pode ir patinar sem medo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;A Irmandade Cristã da minha faculdade se reúne toda última sexta-feira do mês pra jantar na casa dos Huleys. Os Huleys (Ann e David Huleys) já foram missionários na Rússia, mas agora eles moram aqui em Northampton. Eles já passaram da idade de ir brincar no gelo e as filhas deles já estão todas casadas e morando fora. Sobraram então cinco pares de patins e ninguém pra patinar!! &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Ann fez questão de que a gente pegasse os patins emprestados. E eu fiz questão de aceitar! Voltamos pra casa, depois do jantar, carregando os patins e planejando a estréia pro dia seguinte.&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Rc-ANXpv8xI/AAAAAAAAABQ/8sEv11nQ6MY/s1600-h/cuties.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Rc-ANXpv8xI/AAAAAAAAABQ/8sEv11nQ6MY/s400/cuties.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5030380275971912466" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Foi por isso que eu acordei as 8:30 da manhã. Porque eu tinha combinado com Launi, Jodi e Crystal. Chegamos no Laguinho, e pra mim ele parece grande o suficiente pra ser chamado de Lago. De comprimento ele deve ter 2/3 da nossa rua e o mesmo comprimento de largura. Agora você pega as medidas e imagina uma forma meio ovalada. Se você conseguiu imaginar direito vai ter uma idéia do que eu to falando. Então, essa coisa ovalada é o tal Laguinho Paraíso que está congelado.&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Rc9-_3pv8uI/AAAAAAAAAAs/5EG_iYmZO90/s1600-h/friends.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Rc9-_3pv8uI/AAAAAAAAAAs/5EG_iYmZO90/s400/friends.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5030378944532050658" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Sentamos nas escadas da casa de barcos e calçamos os patins. Launi teve que amarar os meus cadarços, porque os meus dedos estavam meio insensíveis de tanto frio. De patins no pé ficou tudo mais fácil. Fui pisando com cuidado até o laguinho, custei um pouco a pegar o jeito e pronto! Estava lá eu patinando, rodopiando, apostando corrida. Levei uns tombos também e ri até não poder mais. A Jodi nunca tinha patinado então nós nos revezamos em dar conselhos e patinar do lado dela até ela conseguir dar uns passos sozinha.&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Rc9_MXpv8vI/AAAAAAAAAA0/gDyRmZBRz-I/s1600-h/deb+iceskating.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 273px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Rc9_MXpv8vI/AAAAAAAAAA0/gDyRmZBRz-I/s400/deb+iceskating.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5030379159280415474" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Launi me ensinou a patinar de costas!! Bem, eu ainda não aprendi direito, mas consigo ir meio metro pra trás! Semana que vem a gente vai voltar pra lá e eu vou praticar mais um pouco. Depois que a gente cansou de patinar fomos procurar um bom monte de neve pra fazer anjinhos. Pra fazer anjos na neve a gente só precisa deitar de costas, abrir e fechar pernas e braços, e depois levantar com cuidado. A forma que aparece lembra a de um anjo com asas e túnica.&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Rc9_4npv8wI/AAAAAAAAAA8/ZFwgJzCKjv4/s1600-h/collage4.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Rc9_4npv8wI/AAAAAAAAAA8/ZFwgJzCKjv4/s400/collage4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5030379919489626882" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Voltei pra casa com os pés doendo e me aprontei pra ir pra casa da Corin preparar o jantar. Ela está aprendendo português e me pediu pra ir pra casa dela pra gente cozinhar comida brasileira. Depois de me perder, me achar, e chegar na casa dela com duas horas de atraso eu finalmente preparei o jantar. Suflê de legumes com arroz branco, mousse de maracujá, e guaraná Antarctica. Chelsea, Tasheka, e Pyae vieram jantar com a gente e acabaram todas tendo que picar legumes, socar alho e ajudar a por a mesa. Comi até não mais poder! Comida tão boa... Dia tão bom... Apostamos corrida até em casa, rindo que nem crianças. Você ia ter gostado de estar aqui, Lila. E eu ia gostar de ter você pra me dar uma massagem nas costas e colocar todas as costelas de volta no lugar certo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Preciso ir colocar meu dever de casa em dia! Beijão da sua Biloubécia!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in;"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;Deborah&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-2210499549650462040?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/2210499549650462040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=2210499549650462040' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/2210499549650462040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/2210499549650462040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2007/02/oi-lila-acordei-hoje-com-as-costas-os.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_i9eSo_Ai1ns/Rc97h3pv8rI/AAAAAAAAAAM/y9kE8dSdgR0/s72-c/todo+mundo+cai.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-117073632317089594</id><published>2007-02-06T01:54:00.000-02:00</published><updated>2007-02-07T18:55:31.833-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;Fala Little Bro!&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;            Eu estou aqui quase caindo de sono… Fui dormir tarde ontem ouvindo Buena Vista Social Club e lendo Jane Austen. Acordei cedo pra trabalhar e desde as 8:30 que eu não paro um minuto! Depois de falar contigo hoje de tarde eu ainda passei quase uma hora tentando ligar pro banco pra resolver a parada do meu cartão! &lt;span style=""&gt; &lt;/span&gt;Depois voei pra cozinha da minha casa pra lavar os pratos antes que minha chefe viesse reclamar dos cinco minutos de atraso. Depois do trabalho eu e Launi fomos ao caixa eletrônico que fica a umas seis quadras de distância. Daí passei rapidinho no meu quarto pra pegar um par de luvas mais quentes e ir pra biblioteca. E é isso! Agora eu tô aqui no laboratório da biblioteca escrevendo pra você.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;            Lá fora a temperatura é de -9 graus, mas a sensação térmica é de -17! Nesse exato instante eu estou me preparando pra sair. Só da cintura pra cima eu estou vestindo: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;- camisa térmica de manga comprida;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;- blusa de algodão de manga comprida;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;- camiseta de algodão;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;- casaco de moleton; e&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p  style="color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;- jaqueta de inverno.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;        &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;Isso sem contar meus esquentador de orelha, touca, cachecol, luva... Mas até que não é assim tão horrível... O inverno me incomoda sim, porque eu não sou muito afeita à baixas temperaturas, mas também é um período muito interessante. Talvez seja só a minha mania de filosofar, mas o inverno me passa uma impressão de retiro. Como se a terra tirasse férias por cerca de quatro meses pra se preparar pro resto do ano. Fica tudo enterrado, meio morto, mas daqui a alguns meses vai estar tudo novinho em folha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;A estação ganha uma cara nova quando a gente enfeita com um pouco de expectativa. No rio está sempre calor, nem dá pra gente perceber que tudo tem um tempo certo. Acho que no Rio eu tinha uma sensação mais forte de continuidade, de “sempre”. Aqui eu sinto muito mais os prazos. Acredita que agora eu até tenho calendário?! Anoto os compromissos direitinho, os prazos, as reuniões... Faço planos pra daqui a dois meses... E no fim das contas o inverno, mesmo assustadoramente frio, passa a ser mais um estágio que vai passar bem rápido. Três meses é quase nada. Três meses é o tempo que passa entre o começo das férias e o começo das aulas. E no fim das férias a gente sempre reclama que o tempo pasou voando.&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;A neve de ontem derreteu em alguns pontos e congelou de novo. Quando isso acontece o que era neve vira gelo. Fica muito escorregadio e se não tomar cuidado a gente acaba caindo. Derrapei várias vezes hoje, mas pode deixar que eu ainda não caí não! Ando olhando pro chão, pra manter o pescoço bem quentinho dentro da gola do casaco e pra ir evitando os gelos do caminho. Reparei até que a neve parece um pouco com areia! A neve cai em forma de flocos, que parecem muito com grãos. A diferen&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;ça é que quando a gente tenta segurar ela derrete na nossa mão. Andar na neve também parece com andar em areia molhada. Ela afunda um pouco e deixa o terreno todo incerto. Neve, quando cai na roupa, também parece areia. Ela meio que gruda, e pra tirar é preciso sacudir ou espanar com a luva. O lado bom da areia é que ela não derrete e molha tudo quando a gente chega em casa. Bem, mas com areia a gente não pode fazer bola! E nem snowwoman! Aqui na Smith a gente não faz snowman, faz snowwoman mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;Amanhã tenho aula de Política Econômica Internacional, mas não deu pra ler os textos... Alguém pegou o livro na biblioteca antes de mim! Pelo menos li os textos da aula de Sistemas Políticos da América Latina. Falta os da aula de Oriente Médio, mas já tá muito tarde e eu ainda tenho que voltar pra casa e tomar banho. Você, se estivesse aqui, diria que eu estou mesmo precisando. Mas com tanta roupa ninguém percebe, só eu mesma. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;Vou indo antes que fique tarde demais e eu desista do banho. Uhm... Me deu uma foma agora... Minha janta foi purê de batata e peito de peru. Hoje eu pulei a salada, porque as folhinhas estavam meio jururus demais pro meu gosto. Só não pulei a sobremesa: bolo com cobertura durinha de açúcar e limão. Aqui bolo é sobremesa! Eles não comem bolo no café da manhã não! Humpf, pelo menos eu guardei um pedaço pra amanhã.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;      &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);font-family:georgia;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:100%;"&gt;Beijão!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 0.5in; color: rgb(0, 0, 153);"&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  lang="PT-BR" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;Deborah&lt;/span&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:10;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 153);"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-117073632317089594?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/117073632317089594/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=117073632317089594' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/117073632317089594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/117073632317089594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2007/02/fala-little-bro-eu-estou-aqui-quase.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-38834731.post-117062140248547521</id><published>2007-02-04T17:53:00.000-02:00</published><updated>2007-02-07T18:54:28.753-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p  style="color: rgb(51, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;Maria!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(51, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;O inverno chegou atrasado esse ano. Pelo menos é isso o que todo mundo diz por aqui. Basta um comentário sobre o frio e logo vem um menear de cabeça, um risinho cheio de pena e alguém diz: “Você ainda nao sabe o que é frio! Inverno passado a essa altura nós já tinhamos mais de um metro de neve cobrindo o chão!” Pelo visto o inverno está só começando.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(51, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Anteontem eu fui visitar a Shaharzad. Ela mora a uns dois blocos daqui. Eu saí de casa planejando voltar em meia hora. Só o que eu ia fazer era buscar um livro pra aula de história. Me encasaquei toda, da cabeça aos pés, e saí. Mas assim que pisei lá fora comecei a suar! Estava uma noite bem agradável para os padrões daqui. Eu nunca imaginei que 3 graus celsius poderiam algum dia ser agradáveis, mas aqui nessa terra acontece de tudo. Estava uma noite de inverno como quase todas as noites de inverno, mas muito mais bonita.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(51, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;A diferença era a neve. Ela caiu pela primeira vez. Não que ela não tivesse caído antes, mas antes só o que houve foram chuvisco de neve. As primeiras vezes mal conseguiram cobrir o chão. Mas dessa vez eu fui andando e os pés foram afundando na neve fofa. E eu fui rindo igual boba, brincando de deixar pegadas no chão. E a neve caia aos borbotões, cobrindo o meu casaco numa penugem branca e gelada. Eu fui saltitando pela calçada, fazendo bolas de neve e atirando em árvores, me sentindo tão feliz por estar respirando!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(51, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Eu ia saltitando e tentando pegar os primeiros flocos de neve com a minha boca. Ia feito doida mesmo: boca escancarada para o céu, a cara salpicada de neve e tentando engolir as poeirinhas geladas. Eita brincadeira difícil! A neve cai em tudo que é lugar, menos onde a gente quer que caia! Gastei uns cinco minutos nessa caça e só consegui uns poucos floquinhos. Em compensação a minha cara, meus óculos, meus cabelos e meu casaco estavam cobertos de neve. Bem, o corpo inteiro é bem maior que a boca, isso deve ajudar a neve a me vencer no jogo... &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(51, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Sacudi os pés antes de entrar na casa da minha amiga afegã e subi pra pegar o livro. A gente não consegue se ver por um minuto que já começamos a matraquear. Falamos de neve, de família, de amigos, de Deus (ela é muçulmana, você sabe), das aulas, de amigas em comum. E aí eu lembrei que uma amiga nossa (a Roya) me contou que a Shaharzad tem um blog. Ela criou o blog para o pai dela e lá ela posta cartas pra que ele as leia lá do Afeganistão. Achei uma idéia muito boa! Roya também me disse que em uma das cartas a Shary fala de mim e da Tenzin. Tenzin é nossa amiga tibetana. Eu pedi pra Shaharzad ler a carta pra mim, porque estava escrita em parsi, que é a língua dela, e eu nao entendo patavinas de parsi.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(51, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Você ia gostar muito da carta. Acho que você ia gostar de tudo, da Shary, da Tenzin, do blog. Ela escreveu sobre como nós três somos diferentes. E ela disse pro pai dela que eu sou a mais corajosa das três! Ela é que mora no Afeganistão e eu é que sou corajosa! Essa me fez rir. Ela disse que eu tenho espírito aventureiro e independente, isso só porque eu piso na grama e pulo cercas pra cortar caminho. Eu disse pra ela que no Brasil isso não prova nada, todo mundo pisa na grama e pula cercas pra cortar caminho. Um dia eu escrevo uma página nesse blog em homenagem a ela. Mas hoje o dia é sobre a neve e eu estou me distraindo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(51, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Passei um bom tempo na casa da minha amiga e quando saí de lá a neve tinha acumulado ainda mais e eu fui andando devagar de volta pra casa. Fiz bolas de neve, deixei mais pegadas e ri bastante de mim mesma antes de entrar no quentinho da minha casa. Quando entrei no quarto, toda feliz, fiquei desapontada de não encontrar a Chels. Achei que ela estivesse na sala de estar, mas a Tasheka me disse que ela resolveu ir pra Boston! Assim do nada, ela fez as malas e se foi! Foi visitar a irmã. Disse que estava com muitas saudades. Eu fiquei sozinha em casa pensando em como alguém pode se sentir tão feliz e ao depois tão triste em tão pouco tempo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(51, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Pensei em vocês aí em casa. Pensei em como é chato morar longe. Chorei um pouco, abraçada ao meu ursinho de pelúcia. Mas depois me acalmei, porque eu tinha muita coisa pra estudar e porque chorar não ajuda muito. A neve ainda estava caindo lá fora. Cada vez mais pesada, em flocos do tamanho de meia uva passa. Me deu uma fome! Daí eu comi biscoito amanteigado e bebi água pra distrair a barriga. Adormeci lendo o livro sobre o Oriente Médio que o professor pediu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(51, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;A idéia da Shary (é a versão curta de Shaharzad) me pareceu uma idéia muito boa. Por isso eu criei esse blog. Assim vocês e os meus amigos podem se manter atualizados sobre o que acontece comigo. Só que ao invés de escrever cartas pra uma pessoa só eu posso escrever pra várias em dias diferentes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(51, 0, 153);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Preciso ir estudar pra aula de Estatística!!! Beijo grande de mim que te amo,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p  style="color: rgb(204, 204, 204);font-family:georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 0, 153);" lang="PT-BR"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;br /&gt;Deborah&lt;/span&gt;&lt;span style="text-transform: uppercase;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/38834731-117062140248547521?l=cartasdeinverno.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/feeds/117062140248547521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=38834731&amp;postID=117062140248547521' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/117062140248547521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/38834731/posts/default/117062140248547521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cartasdeinverno.blogspot.com/2007/02/maria-o-inverno-chegou-atrasado-esse.html' title=''/><author><name>Deborah Rufino</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://images.easyart.com/i/prints/rw/lg/4/5/Vincent-Van-Gogh-Almond-Stems-in-Bloom-45077.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
